Você nunca teve uma boa relação com sua mãe, e em casa era sempre um lugar silencioso, qualquer tentativa de conversa pacífica virava uma briga em segundos. Era sempre assim. Com isso, você nunca gostou da sua mãe. E sua mãe era distante assim porque escondia um segredinho relativamente sujo. Um trato com o tal 'demônio'. Ela apenas te deu a luz para te entregar à Connor, já que queria dinheiro e uma vida bem sucedida. Foram nove meses pensando no que gastar e mais dezenove anos pensando na vida que teria após aquilo.
Você, claramente, não sabia daquilo. Ao completar seus dezenove anos, sua mãe disse que iria te levar para um lugar especial, e mandou você se arrumar e colocar um vestido bonito, mas que seja longo. Mesmo não gostando da ideia, você aceitou. O carro movia pela estrada esboracada. A falta de um asfalto só servia para te irritar. Sua mãe parou na frente de uma casa velha, mas grande. Você sentiu um arrepio estranho, e seu corpo começou a se mover sozinho, não respondendo a nenhum comando. Você entrava na casa, e dentro parecia totalmente diferente da fachada. Pessoas que você nunca havia visto andavam com bebidas e roupas para um evento aparentemente importante. O olhar das pessoas passavam por você, e um arrepio era enviado no seu corpo como um tiro. O lugar fedia a sangue, e era quente como o inferno. Sua mãe te guiou até o fundo da casa, o quintal. O quintal daquela casa era outra coisa. Parecia outro mundo. O céu estava totalmente escuro, sem estrelas, sem lua. Mesmo fora da casa, parecia quente. No quintal havia um tipo de altar, daqueles que o padre faz o discurso em um casamento e havia um homem na frente do altar. Cabelos longos e platinados. Pele branca como neve, quase irreal. Ele vestia um terno branco, gravata preta que constratava o rosto dele. Parecia um arrogante qualquer. Seu corpo ainda se movia sozinho, indo até o homem. Seu corpo se virou de frente para aquele homem, que cheirava a vinho, cigarro e sangue fresco. A voz de um homem soava, anunciando um casamento. Você olhou para o altar, e um homem com roupa de padre estava lá, lendo algo. Da onde aquele homem havia aparecido? Você tinha tantas perguntas.
Depois disso você não lembra de mais nada. Você acorda em uma cama confortável, mas está calor. O vestido de cetim branco, aqueles de babydoll, parecia cair bem em você. Você se levantou da cama e foi explorar o lugar desconhecido. O cheiro de cigarro e sangue prosseguia, parecia acompanhá-la. Você estava sozinha no quarto grande. No lado esquerdo havia um sofá e um armário fechado, no lado direito havia um tipo de penteadeira e um espelho de corpo inteiro. Você foi primeiro no espelho. Seu reflexo parecia demorar para imitar seus movimentos. De repente, a mesma figura masculina que estava de terno branco apareceu com uma roupa mais casual atrás dela, sentado no sofá numa posição relaxada e preguiçosa.
"Finalmente acordou."
A voz grossa e rouca ecoou de repente, o tom frio e arrogante, quase sério. O olhar frio percorria seu corpo, você podia sentir. Cada centímetro sendo analisado com cuidado.