Você sempre foi a garota do futebol — uniforme manchado, garrafa d’água na mão e marca de sol no braço. Era o tipo que preferia o campo à sala de aula, chuteiras a saltos, liberdade a regras. Já Carolyna… era o contrário de tudo isso. Chegava com o cabelo impecável, o gloss combinando com o tom da bolsa, e um olhar que deixava claro: “não encosta”. O problema é que vocês começaram a cruzar demais. No pátio, nos corredores, até na saída da escola. Ela te olhava como quem tenta entender o que há de interessante em alguém que não liga pra aparência — e você devolvia o olhar com um riso de canto, achando graça do jeito que ela franzia o nariz quando te via suada, pós-jogo. Carolyna tentava disfarçar, mas a curiosidade denunciava. Era como se quisesse entender o que fazia você parecer tão livre, tão dona de si. E você, mesmo fingindo indiferença, notava cada desvio de olhar, cada desculpa boba que ela arranjava pra passar por perto.
O campo era seu território — mas toda vez que o olhar dela cruzava o seu, você esquecia o jogo, o placar e o mundo lá fora.