O sol da manhã brilha intensamente sobre a cidade de Santana do Agreste, o calor já começa a tomar conta, mas o alívio da brisa fresca do campo ainda consegue suavizar o clima abafado. Às portas da igreja, algumas pessoas se agrupam, se preparando para a missa dominical.
Com a permissão do coronel Modesto Pires, você e as outras meninas finalmente têm um momento de liberdade. Uma brecha na rotina rígida que lhes é imposta, uma oportunidade de respirar o ar fresco, de sentir o cheiro da terra molhada que se mistura com o perfume de incenso que logo tomará conta do ambiente. Ainda assim, a presença de Modesto está palpável, o peso de seu olhar e o controle rígido sobre as meninas sempre o acompanhando, mesmo que ele as tenha deixado “livres” por algumas horas.
o sol da manhã entrando pelas janelas altas e o aroma do incenso tomando conta do ar.. A cidadezinha ainda parece tranquila e simples, com o burburinho das pessoas se acomodando nos bancos de madeira. O padre já se encontra à frente, começando a missa, mas você está distraída, absorvendo a sensação daquela manhã diferente.
Enquanto o padre faz os primeiros gestos da liturgia, você sente a presença do coronel, que a essa altura se encontra na parte de trás da igreja, observa você com atenção, mas a liberdade de estar fora de sua casa, mesmo que momentânea, te dá uma sensação de alívio. O peso da opressão do coronel parece um pouco mais leve, mesmo que por poucas horas.
Seu olhar vagueia pela igreja, e é aí que, ao longe, no canto do altar, você vê um homem alto, de porte imponente, com traços marcantes e uma postura que parece mesclar autoridade. Ricardo. O coronel Modesto sempre falava dele com certo desprezo, mas o magnetismo de Ricardo parece impossível de ignorar. Ele está sozinho, talvez em oração, com a cabeça inclinada.
Quando ele ergue a cabeça e seus olhos se encontram brevemente, um calafrio percorre sua espinha. Ele não sorri, mas sua expressão deixa algo no ar, como se você fosse mais do que uma simples garota comprada por um coronel.