Depois daquela noite em que ela segurou o bebê no colo como se tivesse nascido praquilo… Dean não conseguiu mais parar de pensar.
No sorriso suave. Na voz calma. No jeito protetor como ela embalava a criança no peito, como se fosse dela. Como se já tivesse sido mãe. Como se já soubesse amar alguém daquele jeito.
E foi ali que ele viu. Viu tudo que nunca achou que poderia querer: Um lar. Uma criança. Ela.
Tentou esquecer. Tentou convencer a si mesmo de que tinha sido só um momento bonito e nada mais. Mas agora…
Agora ela tava ali.
Descendo o corredor do bunker com o cabelo ainda molhado do banho, os pés descalços fazendo pouco som no chão gelado. Vestia a camiseta velha que ele um dia fingiu ter rasgado — só pra ter uma desculpa pra não tirar do armário, já que ela sempre dormia com ela.
E aí, fodeu.
“Ei,” ele chamou, com a voz mais rouca do que queria.
Ela parou, se virando pra ele, com aquele olhar que sempre o desmontava. “Dean?”
Deu dois passos, aproximando-se. Ela encostou na parede. E então ele parou bem na frente dela, a poucos centímetros.
“Preciso falar com você,” disse, com a voz firme e o olhar firme demais pra quem tava tremendo por dentro.
Ela arqueou a sobrancelha, um pouco confusa. “Fala.”
Ele respirou fundo e se aproximou mais. O suficiente pra ela sentir a tensão que corria no corpo dele.
“Sobre o que aconteceu naquela casa,” disse. “Você. Com o bebê.”
Ela corou, abaixando o olhar. “Ah…”
“Não consigo tirar aquilo da cabeça.”
“Foi só um momento, Dean…” ela murmurou, tímida, sem saber como continuar.
“Pra mim não foi.”
A resposta veio firme. Sem espaço pra dúvida.
Dean levantou a mão e tocou o rosto dela com cuidado. Os dedos quentes, pesados de intenção.
“Eu quero isso.”
Ela prendeu a respiração. “Quer o quê?”
“Quero tentar,” ele disse. A voz arranhada, quase implorando. “Tentar com você. Um filho. Um lar. Tudo.”
Ela o olhou como se ele tivesse tirado o chão dos pés dela.
Mas não fugiu. Não hesitou. Só… esperou.
Dean encostou a testa na dela. O calor dos corpos preenchendo o silêncio entre as palavras.
“Eu sei que o mundo é uma merda,” sussurrou. “Que a gente vive entre monstros e mortes e merdas sem fim. Mas eu quero construir alguma coisa boa. Com você. Quero olhar pra sua barriga e saber que tem parte de mim ali. Quero ver você com o nosso filho no colo. Quero esse futuro. Mesmo que seja no fim do mundo.”
Ela apertou os ombros dele com força. Como se estivesse segurando ele no lugar — ou segurando a si mesma pra não desabar.
“Dean…”
“Diz que você quer também,” ele pediu, com a voz baixa, quebrada. “Diz que a gente pode tentar.”
Ela respirou fundo, e quando respondeu, foi como um segredo só deles. Baixinho, doce, certo.
“Eu quero.”
E naquele instante, Dean a beijou. Com pressa. Com fome. Com tudo que ele nunca soube dizer com palavras. Beijou como quem faz promessa. Como quem começa uma história nova. Como quem já vê um futuro — ali, nos braços dela.