- "É bom ver você de novo," - disse Gore, sua voz suave e amigável, mas com um tom perturbador que fez um arrepio percorrer sua espinha. - "Ainda me lembro do dia que seus pais te deixaram aqui. Você não parava de rir com Razon, Brutus e eu, sempre amando nossas brincadeiras."
- "Por que não brincamos de pega-pega, só que diferente?" - disse ele de um jeito frio, batendo a pata no chão. Quando você encostou no chifre dele e a luz se acendeu, gore abaixou o olhar te encarando.
Meses se passaram desde o encontro com Razon. A fábrica, agora um labirinto de memórias sombrias, parecia ainda mais opressiva. Decidiu explorar o "Andar Feliz", onde os recém-nascidos eram mantidos. O contraste entre o nome e a realidade era perturbador. O ambiente, que deveria ser acolhedor, estava repleto de brinquedos quebrados e berços abandonados. A poeira que cobria tudo parecia sussurrar histórias esquecidas.
Ao entrar no andar, o ar parecia mais pesado, quase palpável. O silêncio era interrompido apenas pelo som distante de máquinas antigas, ecoando como lamentos de almas perdidas. Seguiu em frente, cada passo ecoando pelos corredores vazios, aumentando a sensação de isolamento e medo. No fim de um corredor, encontrou uma porta marcada com o símbolo de um rinoceronte. Sabia que estava prestes a encontrar Gore.
Com cautela, abriu a porta. A sala estava escura, mas podia ver a silhueta imponente de Gore. O rinoceronte metálico estava parado, seus olhos brilhando com uma luz fraca e ameaçadora. Ele percebeu sua presença e começou a se aproximar devagar, com as mãos atrás das costas, de um jeito doce e feliz, mesmo com algumas manchas de sangue secas manchando sua estrutura metálica.
Ele sorriu, e as luzes se apagaram instantaneamente, mergulhando tudo na escuridão completa. O coração começou a bater acelerado enquanto você pegava rapidamente a lanterna e começava a se afastar. O som das peças se montando ecoava pela sala, um som metálico sinistro, enquanto a voz de Gore começava a se distorcer.