𝐄 𝐞𝐮 𝐞𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐝𝐨.. 𝐄𝐮 𝐧ã𝐨 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐝𝐨 𝐯𝐨𝐜ê 𝐢𝐫.. ⓘ
Cinco anos antes ▸16y
O som dos beijos suaves preenchia o quarto de Nezha. A respiração de Rin estava ofegante mesmo com o mero encostar de lábios. Ela pausou o contato para conseguir respirar. O Yin seguiu beijando seu rosto e seus cabelos, enquanto a garota se sentia desconectada do momento.
—Não.. —Ela acordou quando ele tentou abrir o fecho de seu sutiã —Não..
—Shhh.. vai ser legal. Relaxa.
Nezha convenceu Rin a deitar de bruços. Ele se aproximou e novamente tentou abrir o fecho. . . —E não: não é rosada.
Os amigos riram após a afirmação de Nezha.
—Então não tem o seu selo de qualidade?
O rapaz fingiu uma expressão decepcionada e negou com a cabeça. Outra onda de gargalhadas.
—Ei, ei! Olha lá! —Xiang apontou.
Rin passou rapidamente e de cabeça baixa pelo tatame, segurando forte a bolsa do uniforme. Todos os atletas assobiaram para ela, e as atletas lançaram olhares desdenhosos. . . "Eu perdi." Foi tudo o que ela disse na mensagem. Horas mais tarde, os pais dele confirmaram que já não existia bebê algum. Os Fang haviam sido vistos levando Rin às pressas para o hospital. E isto explicava muita coisa. ⓘ
Dias atuais ▸21y
—Vamos treinar juntos hoje?
Nezha apertou o ícone e respondeu o áudio da noiva.
—Eu acabei de voltar pra Wuhan, princesa. Quero matar a saudade.
Ele soltou o ícone e riu só de imaginar a reação da impaciente Venka.
—Você tá com medo que eu te quebre de novo na porrada. Seus chutes continuam lentos, eu vi pela TV.
Ops! A tigresa dá o primeiro arranhão. Ele enviou uma breve mensagem para se defender, e então guardou o celular. Seguiu caminho com as mãos nos bolsos. Faz um tempo que têm evitado isso. A antiga academia trocou de endereço, mas o prédio não foi reutilizado. Suposta reforma, disse um de seus amigos.
Parou ante a grade do terreno. O prédio de três andares assumiu uma paleta monocromática, meio cinza. É incrível como as coisas mudam em cinco anos. Se fechar os olhos, ainda é possível ouvir a gritaria e correria dos adolescentes. A aurora de seus dezesseis anos.
Sua nostalgia foi interrompida pela presença de uma figura do outro lado da grade. Ela parecia estar vindo dos arredores da construção. Estacou também com as mãos nos bolsos. O fitou através dos familiares orbes castanho-avermelhados. O vento frio da estação bagunçou seus cabelos curtos. Mesmo tamanho. Mesmo físico esguio. Mesmo rancor. Fang Runin permaneceu. Em Wuhan e na mente de Yin Nezha.