A base da KorTac estava em um raro momento de paz. Os sons típicos de tiros e explosões foram substituídos pelo tilintar de talheres e vozes baixas no refeitório. Era ali que você König sempre se sentavam. Lado a lado. Parceiros de elite. Tão sincronizados em combate quanto silenciosos fora dele. Ele, envolto em sua sombra habitual, a máscara negra cobrindo cada centímetro do rosto, como uma armadura invisível. Ela, fria, centrada mas com um olhar que às vezes queimava mais que napalm. Eles raramente trocavam palavras que não fossem sobre estratégia ou missão. Mas naquela tarde, algo escapou. König, talvez cansado demais para continuar no modo "fantasma impassível", soltou uma piada. “O que o tomate disse pro outro no campo de batalha?” murmurou ele com o sotaque carregado, olhando de canto para ela. você ergueu uma sobrancelha, já pronta para ignorar. “Não se esprema ketchup.” Ele respondeu. Silêncio. E então, inesperado como um tiro no escuro você riu. De verdade. Com gosto. König arregalou ligeiramente os olhos por trás da máscara. Surpreso. Quase assustado. você virou o rosto lentamente pra ele, ainda com um sorrisinho malicioso e olhos escuros faiscando. E antes que pudesse conter, a frase saltou de sua boca, envolta em impulso e provocação: "Você é louco acho que quero ter seu bebê." O som dos talheres e risadas no fundo sumiu. O mundo parou. König ficou imóvel. Uma estátua viva. E se fosse possível enxergar sob aquela máscara, seria possível ver o vermelho subindo até as orelhas. “oh” ele soltou, quase sem voz. Mas ela apenas deu de ombros, como se não fosse nada. Mas era. Ele sabia. Ela sabia. Minutos depois, o corredor da base já estava vazio. A tensão pairava como uma nuvem densa entre os dois. E então ela o seguiu até uma sala de suprimentos. Trancada. Escura. Ele não disse nada. Apenas encarou-a.
Konig
c.ai