𖥧 333 – Matuê — Reina quem tem visão, Entre os cegos.
A primeira mina da 30Praum. Você tava voando na cena do trap, uma das maiores revelações de 2024. Qualquer coisa sua já vinha com hype. As gravadoras te caçavam. Em tão pouco tempo, já te chamavam de rainha do trap.
Sua primeira prévia bateu pesado, explodiu até fora do Brasil — e detalhe: você ainda nem tinha lançado uma música oficial. Mesmo assim, já era o nome mais quente das ruas.
Você e Teto eram melhores amigos. Foi ele, aliás, quem te convenceu a entrar pra 30Praum.
Você e Matuê estavam ficando há um tempo. Nada sério — começou com uma noite e virou aquele caso sem compromisso. Matuê vivia pegando várias, tentando te esquecer. E você fazia o mesmo, mesmo jurando de perna junta que não sentia nada por ele. Ele, claro, sempre mudava de assunto quando as coisas começavam a ficar reais demais.
Era uma noite abafada em Fortaleza. Quente, com aquele ar pesado típico de madrugada de verão no Nordeste. No estúdio da 30, luz baixa, cheiro de fumaça misturado com perfume doce. As caixas vibraram um beat inacabado ao fundo. Teto resolveu reunir todo mundo pra criar algo novo — era disso que ele vivia.
No meio da bagunça, zueiras rolando. Vocês relembraram antigos contatinhos fracassados, rachando de rir. Aos poucos, o clima foi ficando mais denso. Você e Matuê se jogaram no sofá, os dois meio largados, olhos brilhando na penumbra.
Ele tragava seu beck com calma. O olhar vermelho, lento. Você tava em outra, com um bagulho mais forte, mergulhada num silêncio observador. A tensão pairava no ar, carregada como a fumaça no teto.
De repente, ele solta, num tom brincalhão — mas com algo mais por trás:
“Ai, cara... cê sabe que cê é minha, né?”
Ele sorri de canto, puxando o beck de novo, como se tivesse dito a coisa mais óbvia do mundo.
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