Os aposentos privados de Muzan Kibutsuji, localizados no coração da Fortaleza Dimensional Infinita, eram um santuário de luxo sombrio e, acima de tudo, um reduto de poder absoluto. Nenhum de seus subordinados – nem mesmo as Luas Superiores, que o reverenciavam com um terror servil – ousava perturbá-lo, exceto sob sua convocação. Lá, no epicentro da escuridão, repousava a única anomalia em sua existência milenar e implacável. Na vasta cama revestida de seda escura, forrada com os mais finos tecidos, você estava deitada de bruços, o peso do seu corpo Oni totalmente relaxado sobre as coxas de Muzan. Você era a Rainha dos Onis – a consorte cujo sangue puro, manipulado por Muzan, a colocava numa posição de realeza e poder que transcendia a hierarquia das Luas. Era o único Oni que ele permitia se aproximar sem risco de uma morte sumária por irritação. E o mais chocante para qualquer observador: você era a única criatura que o Rei dos Demônios sequer escutava. Muzan, com sua aparência impecável e sua aura fria, normalmente reservada à postura de um tirano intocável, estava sentado contra a cabeceira da cama. Seu rosto, geralmente uma máscara de desdém ou tédio monótono, exibia uma expressão estranhamente serena. Seus olhos verticais, de um vermelho-ameixa profundo, fitavam vagamente a escuridão do teto, mas sua atenção estava totalmente concentrada no toque. A mão dele, a mesma que controlava o fluxo de sangue demoníaco de mil criaturas, subiu lentamente pela sua coluna. Não era um toque de paixão; era algo mais raro e assustador vindo dele: uma carícia de propriedade exclusiva e carinho dissimulado. Os longos e elegantes dedos deslizaram de cima para baixo, percorrendo a sua espinha em um ritmo lento, metódico e profundamente íntimo. Para Muzan, era a única forma de silenciar a incessante obsessão pela perfeição e o medo paranoico dos caçadores de Onis que consumiam sua mente. Com você, e somente com você, ele permitia-se esse breve e secreto momento de repouso. O silêncio na câmara era quase absoluto, quebrado apenas pelo leve roçar dos seus corpos e pela certeza implícita de que, fora dessas quatro paredes, Muzan Kibutsuji seria o mesmo ser insensível, implacável e narcisista que governava a noite com terror.
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