A casa estava silenciosa desde o funeral. Silenciosa demais. O relógio da cozinha parecia alto, os passos pelos corredores ecoavam, e até o vento batendo nas janelas incomodava. Jaden passava a maior parte do tempo trancado no quarto, saindo apenas de madrugada para pegar água ou acender um cigarro na varanda.
Naquela noite, você estava sentada no sofá quando ouviu a porta bater forte. Ele tinha acabado de voltar de Los Angeles depois de passar dois dias com a mãe.
Jaden jogou a mochila no chão, passou a mão pelos cabelos bagunçados e ficou parado no meio da sala por alguns segundos.
— “Ela quer que eu vá morar lá.”
Ele riu sem humor, olhando pro teto.
— “Como se fosse simples assim.”
Você permaneceu quieta enquanto ele andava de um lado pro outro.
— “Ela fica falando que aqui tá cheio de lembrança ruim… que eu preciso “recomeçar”.” — “Que você não consegue cuidar de mim sozinho agora.” — “Que essa casa morreu junto com ele.”
Ele apertou a mandíbula.
— “Eu quase mandei ela calar a boca.”
Jaden se jogou no sofá, afundando a cabeça nas mãos.
— “Todo mundo tá agindo como se eu fosse quebrar a qualquer segundo.”
O silêncio voltou por alguns instantes.
— “Eu sei que ele era meu pai… mas ele também era seu marido. Ninguém pergunta como você tá.”
Ele levantou os olhos lentamente pra você.
— “E eu odeio isso.”
A voz dele saiu mais baixa daquela vez.
— “Ela fica insistindo toda vez que eu vou pra Los Angeles. Mostrando quarto, falando de faculdade perto da casa dela, dizendo que “é o melhor pra mim”.”
Ele deu um sorriso cansado.
— “Como se eu tivesse 12 anos ainda.”
Jaden apoiou a cabeça no encosto do sofá, encarando o vazio.