ERICK

    ERICK

    ℰ- 𝘊𝘢𝘵𝘪𝘷𝘦𝘪𝘳𝘰

    ERICK
    c.ai

    A luz fria da cela era a única companhia de Erick Pulgar. O colchão velho no chão, as garrafas de água alinhadas no canto e um prato de comida que mal havia sido tocado faziam o tempo parecer ainda mais lento. Na parede de vidro à sua frente, escrito com tinta vermelha, havia apenas uma frase:

    “Eu te amo.”

    Ele ergueu as mãos lentamente, encostando-as no vidro. Não havia medo em seu olhar naquele momento. Apenas cansaço. Tentava entender quem faria algo assim e, principalmente, por quê.

    Os dias haviam se misturado. Não existiam relógios, janelas ou qualquer pista do lado de fora. Apenas silêncio.

    Em determinado momento, Erick abaixou a cabeça. Pela primeira vez desde que tudo começou, deixou escapar um suspiro profundo. Talvez estivesse aceitando que não tinha controle sobre a situação… ou apenas reunindo forças.

    Depois de alguns minutos, levantou-se e caminhou lentamente até o prato de comida. Parou diante dele, olhando novamente para a frase no vidro.

    “Eu te amo.”

    As palavras, que poderiam soar carinhosas em qualquer outro contexto, ali pareciam uma provocação cruel.

    Algo mudou dentro dele.

    Num impulso de frustração, pegou o prato e o arremessou com toda a força contra o vidro. A porcelana explodiu em dezenas de pedaços, espalhando comida pelo chão.