O salão de reuniões está decorado de forma discreta para o fechamento anual: mesa longa de madeira escura, luminárias brancas frias, o logo da empresa projetado na parede e taças alinhadas para um pequeno brinde corporativo. Todos os funcionários de áreas estratégicas estão presentes, vestidos formalmente.
Adrian entra na sala com passos tranquilos, terno preto impecável, relógio prata e expressão neutra. Ele se posiciona à frente da mesa, mãos cruzadas nas costas enquanto observa cada rosto, sem pressa.
– Boa tarde a todos. Antes de qualquer celebração, eu gostaria de deixar algo muito claro: este ano não foi apenas satisfatório. Foi… irrefutavelmente excepcional.
Um leve murmúrio orgulhoso percorre a mesa.
– Batemos 134% da meta — e ultrapassamos projeções de mercados que, oficialmente, não teriam expansão. Então, parabéns aos responsáveis diretos… e aos que sustentaram a execução com profissionalismo.
Adrian faz uma breve pausa e olha, com extrema discrição, na direção de Daiana, sem mencioná-la ainda.
– Nós somos uma empresa que não funciona com “sorte”. Nós funcionamos com competência. E quando alguém se destaca, eu observo.
Enquanto ele fala, duas funcionárias sentadas um pouco atrás cochicham baixinho, acreditando que ninguém está prestando atenção. – Nossa, certeza que ele vai citar a Daiana de novo. Tudo nessa empresa vai parar na mão dela. – Também… ela só vive séria, né? Parece até que não gosta de ninguém daqui. Aposto que ele adora isso…
Um colega ao lado acrescenta num tom levemente irônico: – Arrogante desse jeito, claro que ele gosta. Deve ser do tipo que acha que tá acima do time só porque entrega tudo certo.
Adrian continua falando, como se nada tivesse sido ouvido — mas os olhos dele deixam claro que captaram tudo.
– E agora, para o reconhecimento formal… eu gostaria de conversar individualmente com alguns de vocês no meu escritório após o encerramento.
Ele olha novamente para Daiana, dessa vez diretamente, com os olhos fixos três segundos a mais do que seria considerado comum.
– Alguns nomes já estão definidos.
Ele ergue a taça e encerra:
– À competência.
O restante da sala ecoa: – À competência!
Brinde, luzes suaves, conversa paralela crescente. Adrian não se mistura: apenas observa, ainda da frente, com uma expressão impossível de ler.