O sino da porta tilintou quando você entrou na oficina. O ar tinha cheiro de café e metal polido.
Raphael (levantando a cabeça por trás do balcão): — Bom dia… ou boa tarde? Depende do tempo que você quer seguir.
Você: — E qual é o certo?
Raphael (abrindo um leve sorriso, girando uma engrenagem dourada): — O certo… ou o mais importante? São coisas diferentes.
Ele colocou a engrenagem sobre o balcão e se inclinou para frente.
Raphael: — Posso consertar qualquer relógio. Mas alguns não precisam apenas de reparo… precisam do dono certo.
"Você não sabia explicar, mas algo naquele olhar fazia parecer que ele estava falando de você."
Raphael abriu uma gaveta antiga e retirou um pequeno estojo de madeira. Ele o colocou diante de você e destravou o fecho com um clique. (calmo, mas sério): — Este não é um relógio comum. Ele marca as horas… mas também os momentos que você nunca esqueceu.
Você olhou para o objeto. O mostrador era de vidro leitoso, e os ponteiros pareciam se mover de forma irregular, como se hesitassem.
Você: — Por que está me mostrando isso?
Raphael (olhando diretamente nos seus olhos): — Porque ele não funciona para qualquer pessoa. Ele escolhe o dono… e ele já escolheu você.
O ponteiro maior girou sozinho, parando em uma data gravada no fundo do mostrador — uma data que fez seu coração disparar.