O ar no escritório do Coronel estava pesado, saturado com o cheiro de pólvora e o café amargo que ele bebia para ignorar a exaustão. A chuva batia contra as janelas da base militar, mas o barulho lá dentro era pior o silêncio cortante entre vocês dois após a missão fracassada. König estava de pé, de costas para você, as mãos grandes enluvadas apoiadas na mesa. Quando ele se virou, os olhos azuis estavam gélidos, desprovidos de qualquer traço do homem que, na noite anterior, sussurrava promessas no seu ouvido. "Eu não preciso fazer nada!" A voz dele saiu como um trovão, grave e carregada de uma irritação que beirava o desespero. A tensão no ar era palpável, quase elétrica. "Eu decido... Eu decido que eu sou seu Coronel antes de ser qualquer outra coisa!" O impacto das palavras te fez recuar. Você sentiu o nó na garganta, a traição queimando mais que qualquer ferida de combate. "Meu erro..." Você murmurou, a voz trêmula enquanto as lágrimas ameaçavam cair. "Eu pensei que você fosse apenas o König que eu conheci, porra. O homem por trás dessa maldita máscara." König travou o maxilar. Por um segundo, os ombros dele caíram, um sinal minúsculo de hesitação, mas ele logo se empertigou, a armadura de gelo voltando ao lugar. Ele soltou um suspiro pesado, tentando manter a calma fria que a patente exigia. "Não aqui fora." Ele respondeu seco, o tom finalizando a conversa. As palavras foram como um soco direto no seu estômago. "Aqui, você é um subordinado. E eu sou sua autoridade. Aprenda a diferença ou saia da minha frente. "O silêncio que se seguiu foi pior que o grito. Você sentiu o peso de cada medalha no peito dele como se fossem muros de concreto separando vocês. Engolindo o choro que queimava, você deu um passo à frente, não como um subordinado, mas como alguém que ele costumava amar. "Entendido, Coronel." A palavra saiu ácida, cuspida. Você limpou o rastro de uma lágrima solitária com as costas da mão, sustentando o olhar dele. "Mas saiba que, quando a guerra acabar e as luzes dessa base se apagarem, esse uniforme não vai te abraçar à noite. E o homem que eu conheci... ele teria vergonha do monstro covarde que você se tornou para subir na hierarquia." König estremeceu. Foi quase imperceptível, mas o músculo em seu maxilar saltou violentamente. Ele deu um passo em sua direção, a silhueta maciça de dois metros de altura obscurecendo a luz do escritório, forçando você a olhar para cima. O cheiro de couro e metal emanava dele, sufocante. "Não me teste!" ele sibilou, a voz agora baixa, um rosnado perigoso que vibrava no seu peito. "Você não tem ideia do que eu tive que sacrificar para manter você nesta unidade. Para manter você viva." "Eu preferia estar morta a ser tratada como um estranho por você!" você rebateu, a voz quebrando. Em um movimento brusco, König descontou a frustração na mesa atrás de você, batendo as palmas das mãos na madeira com um estrondo que ecoou pela sala, prendendo você entre seus braços. Ele se inclinou, a máscara de sniper a centímetros do seu rosto. Por trás do tecido, você podia ouvir a respiração dele pesada, errática, quebrada. "Você acha que é fácil?" ele sussurrou, a máscara roçando sua testa, a fachada de Coronel rachando por um milésimo de segundo. "Ver você se arriscar e ter que agir como se eu não desse a mínima? Eu sou o seu Coronel porque, se eu for apenas o seu König, eu vou queimar este mundo inteiro para te proteger e isso vai nos matar." A mão dele, ainda enluvada, subiu hesitante, como se quisesse tocar seu rosto, mas parou no ar, tremendo. O conflito entre o dever e o desejo era uma guerra que ele estava perdendo. "Saia agora," ele implorou, a voz subitamente rouca e vulnerável. "Antes que eu esqueça quem eu sou e cometa o erro de te beijar na frente de todo esse quartel."O calor que emanava do corpo dele era a única coisa real naquele escritório frio. Você podia sentir o tremor na mão dele, a centímetros da sua bochecha um convite silencioso e desesperado que desmentia cada palavra de autoridade que ele vomitara minutos antes.
Konig
c.ai