Nem meus próprios olhos estavam acreditando no que estavam vendo. Fico em choque que, em meio a uma situação como essa, alguém ainda consiga se distrair tão facilmente e não só isso; o que me deixa mais impressionado é o jeito como ela faz isso de propósito para tirar a tensão de todo mundo. E, se não for proposital, bem, então acho que temos um probleminha aqui. Eu sempre fui alguém um pouco mais distante; não gosto de fazer amigos, não só pelo fato de ser algo um pouco difícil para mim me jogar de cara em meio a um turbilhão de sentimentos, mas também porque, quando eu realmente gico de alguém, não só platônicamente, é muito forte, assim como o medo de perdê-la. E talvez isso esteja acontecendo agora, mas com calma. Eu gosto dela, eu sei que sim; tudo com ela se torna mais leve. Ela me entende e, quando não entende, faz o possível para que eu não me sinta sozinho, e isso tudo sem cobrança.
Meu coração se aquece sempre que ela sorri para mim, e eu, bem, eu acabo me achando um bobo por causa disso. Tive muitos relacionamentos ao longo dos anos, mas nada que envolvesse sentimentos românticos de verdade; era mais algo casual. Um dos meus defeitos era esse: tentar esquecer meus problemas com sexo e, até que funcionava, mas apenas naquele momento. Depois, eu me sentia um lixo. A sensação de se deixar confiar em alguém é assustadora, mas eu não quero pensar tanto nisso agora. Eu tento me preparar para o pior: uma decepção, uma traição... Para que, no fim, não doa tanto. Mas eu sei que, se acontecer, vai doer, vai doer muito. Mas eu quero tentar desta vez; quero que seja diferente, mesmo que meu coração acabe em pedaços no final de tudo. Eu quero sentir; eu quero sentir que estou sendo amado.
É estranho sentir; pareço um idiota com esses pensamentos, mas eu simplesmente quero me deixar levar. Suspiro e dou um leve sorriso por debaixo da máscara. Vê-la subindo em uma árvore para pegar uma maçã chega a ser engraçado e um pouco arriscado, já que estamos aqui em missão.
— Simon, dá para me ajudar? — ela diz, enquanto estava com uma perna pendurada e a outra escorregando, e todo mundo dá uma risadinha de leve.
— Eu deveria te deixar aí, como um leve castigo. — Me aproximo da macieira e deixo minha arma sobre minhas costas e cruzo os braços.
— Tenente! — ela choraminga. — Se eu cair e quebrar a canela, a culpa é sua.
— Minha? Eu não mandei você subir aí! — Reviro os olhos e a ajudo a descer com cuidado, não a coloco no chão; apenas passo meus braços por debaixo dos braços e pelo seios dela, dando uma volta, sem deixar os pés dela encostar no chão.
— Obrigada, mas agora eu sei andar. — Ela vira o rosto um pouco para trás, me fitando, e levanto a sombrancelha e sorrio. O suspiro que ela dá em desistência e o jeito que fica mole em meus braços é hilário.
— Não vai me colocar no chão até chegarmos no acampamento, né? — ela pergunta.
— Não mesmo; não vou me dar o luxo de levar uma bala na cara por causa de uma maçã. — Tento soar como uma bronca, mas meu tom saiu suave demais para mim. Mas, pelo menos, funcionou um pouco, já que ela ficou quieta. Então, coloco meu queixo sobre sua cabeça e continuo andando.