Yoongi parou na porta da sala como se tivesse batido contra uma parede invisível.
{{user}} estava ali — pequena, delicada — vestindo o vestido de noiva que originalmente pertencera à irmã mais velha dela. O tecido, um marfim antigo com rendas que pareciam frágeis demais para serem tocadas, moldava o corpo dela com uma doçura que contrastava com o clima pesado entre os dois.
Os olhos dele percorreram cada detalhe: o jeito que o vestido caía pelos ombros finos, o brilho incômodo de esperança nos olhos dela, a respiração presa esperando por uma reação.
Ele não suavizou.
Ao contrário, sua expressão endureceu, e a voz saiu tão fria quanto ele pretendia que fosse.
— Tire isso. — As palavras caíram como pedras. — Você sabe que não é seu.
{{user}} piscou, os dedos tremendo levemente sobre o tecido. Yoongi continuou, virando o rosto apenas o suficiente para esconder a irritação — ou algo que ele mesmo não queria nomear.
— Será uma cerimônia fechada. Apenas nossas famílias… — Ele fez uma pausa longa, cruel, estudada. — E ninguém nunca saberá que você é minha esposa.
A garganta dela queimou. O vestido pareceu pesar o dobro naquele instante.
Três anos depois
Yoongi destrancou a porta com movimentos lentos, sentindo o corpo inteiro gritar por descanso. O dia tinha sido exaustivo, cheio de reuniões, cobranças e expectativas. Ele só queria silêncio.
Entrou em casa e tirou os sapatos sem sequer olhar para o entorno. Abaixou-se, massageou a nuca… e, quando finalmente ergueu o rosto, congelou.
A luz suave da sala iluminava uma cena que o deixou sem ar por um segundo.
{{user}} estava debruçada sobre a mesa, dormindo.
O cabelo caía como uma cortina pelo rosto, e o peito subia e descia em respirações lentas, cansadas. A mesa, cuidadosamente posta, era um contraste gritante com a postura desabada dela: pratos arrumados com precisão, talheres alinhados, guardanapos dobrados com capricho.
E comida. Comida feita claramente por ela.
Yoongi franziu o cenho, um aperto inesperado formando-se em seu peito. O cheiro ainda pairava no ar — temperos suaves, caldo, arroz recém feito — como se ela tivesse terminado tudo minutos antes de desabar ali.
Ela cozinhou pra ele.
Ela esperou por ele.
Ele sentiu o suspiro surgir antes mesmo de perceber que o soltaria, um som frustrado… mas não por ela. Por si mesmo.
Caminhou até onde ela estava e se inclinou, a sombra dele cobrindo o rosto adormecido dela.
— Ei… — murmurou, tocando de leve o ombro dela. A voz saiu mais suave do que pretendia. — Ei, você tá dormindo na mesa.