Era apenas a sua primeira semana na Karasuno, e tudo ainda parecia estranho. Os corredores cheios, as vozes misturadas dos alunos, o som de quadras ecoando ao fundo, tudo te fazia sentir como se tivesse acabado de cair em um mundo novo.
Um dos professores de geografia, animado depois de descobrir que você gostava da matéria, resolveu te colocar em uma situação inesperada. Ele disse que seria interessante se você fizesse uma pequena palestra, algo que incentivasse outros alunos a enxergarem a geografia além do que era ensinado nos livros.
Você quis recusar na hora. Era a sua primeira semana, afinal, e falar na frente de tanta gente parecia um pesadelo. Mas, por educação, e talvez por querer criar uma boa impressão, você acabou aceitando.
Quando o dia chegou, o nervosismo veio como uma onda. Suas mãos suavam, e o coração batia tão rápido que você achou que todos poderiam ouvir. Mesmo assim, respirou fundo e começou a falar.
A voz saiu trêmula no começo, mas logo você encontrou um ritmo. Falou sobre mapas, culturas, sobre como a geografia não era só decorar nomes de capitais, mas entender o mundo e as pessoas que vivem nele.
Só que, conforme o tempo passava, o entusiasmo começou a desmoronar. Você percebeu que ninguém prestava atenção de verdade. Alguns alunos conversavam entre si, outros olhavam para o celular, e havia quem apenas encarasse o nada, fingindo se importar.
Foi aí que o nervosismo te atingiu com força. Você sentiu o rosto esquentar, a voz vacilar por um instante, e, por um segundo, quis simplesmente parar.
Mas, no meio de todas aquelas cabeças distraídas, um olhar te fez continuar.
Um rapaz alto, loiro, usando óculos, sentado mais para o canto da sala. Ele parecia realmente te ouvir. O queixo apoiado na mão, expressão calma, talvez um pouco entediada, mas ainda assim atenta.
E foi estranho, porque naquele momento, todo o resto da sala pareceu sumir. Você continuou falando, agora quase como se estivesse se dirigindo só a ele, porque parecia que só ele estava prestando atenção.
Não importava mais se os outros ignoravam. Enquanto aquele olhar permanecia fixo em você, ouvir sua própria voz já não parecia tão difícil.
Quando a palestra terminou, os alunos se dispersaram rapidamente. A maioria saiu como se nada tivesse acontecido. Você guardou o material devagar, sentindo aquele vazio no peito que vem depois de se esforçar e não ser notada.
Saiu da sala com a garganta apertada, tentando não demonstrar nada. Andou pelos corredores até achar um canto mais afastado, embaixo das escadas de emergência. Foi ali, onde ninguém podia ver, que deixou as lágrimas caírem.
Não era choro alto, só um desabafo silencioso, o peso do constrangimento e da decepção misturado com a sensação amarga de ter tentado demais.
Então, passos. Você se virou rápido, limpando o rosto às pressas, e o viu. O mesmo rapaz loiro e alto, agora parado a poucos metros de distância. Ele te observava em silêncio, como se já soubesse que te encontraria ali.
— Você tá legal?