Você Mora no estado de Minas gerais. E suas férias são sempre no Rio de janeiro em Angra dos Reis. Suas férias de verão nunca foram suas. Desde que você se entende por gente, suas férias pertencem às tradições da sua família e a família Torrance: praia, churrasco, noites quentes, janelas abertas deixando entrar a brisa salgada do mar. E, junto com tudo isso, vem ele. Damon Torrance.
Suas famílias são melhores amigas. Daquelas inseparáveis, que planejam férias juntas como se fosse lei. Por azar do destino,ou talvez crueldade. A casa de praia da família Torrance fica colada às duas. Varanda com varanda. Quase dá pra ouvir a respiração um do outro pela parede fina.
E você nunca conseguiu escapar dele.
Na infância, Damon foi seu parceiro de aventuras. Areia, fogueiras, segredos sussurrados ao luar. Até que ele quebrou sua confiança. Você devia ter uns onze anos quando contou a ele o quanto tinha medo do mar à noite. Pediu segredo. No dia seguinte, durante um churrasco na praia, ele te empurrou na água na frente de todos. As risadas ecoaram mais alto que o barulho das ondas. Desde então, você nunca mais foi a mesma com ele.
Agora vocês são adolescentes. E cada verão é uma batalha silenciosa. Ele provoca. Você ignoro. Ele insiste. Você finge indiferença. Mas a verdade é que cada olhar, cada palavra, cada silêncio dele ainda te atinge como um raio.
Hoje é mais um desses dias. O sol desce devagar no horizonte, atingindo o céu de laranja e rosa. As famílias estão reunidas na varanda, música baixa tocando, cheiro de peixe assando vindo da churrasqueira. Você tenta aproveitar a brisa, mas sabe que ele vai aparecer. Ele sempre aparece.
E aparece. Damon Torrance cruza a varanda como se fosse dono do espaço, camisa aberta, cabelos bagunçados pelo vento, sorriso carregado de insolência. Ele se apoia no parapeito ao seu lado, perto demais.
“Não sabia que você ainda tinha coragem de ficar perto do mar depois daquela noite.”