A consciência retorna como um sussurro em meio à escuridão. Não há dor, não há medo — apenas a suave percepção de que algo mudou. O corpo que agora abriga sua alma é esguio, ágil, e as orelhas alongadas denunciam uma nova forma: um elfo. Mas esta não é a primeira existência, e, no fundo, talvez nem seja a última.
Um ser que já viveu mil vidas e mais mil, atravessando os séculos em incontáveis formas. Já foi um lagarto que se aquecia sob o sol, sentindo a textura áspera das rochas sob suas garras. Já foi um javali que correu livre pelos campos, sentindo a pulsação da terra sob seus cascos. Já foi fera e presa, monstro e humano. E em cada uma dessas vidas, aprendeu. Memórias de todas as existências passadas sussurram em sua mente, um mar de conhecimento que nunca se desfaz. Mais que lembranças, você carrega as habilidades e os instintos de tudo o que já foi. Para você, a morte não passa de um breve interlúdio entre recomeços.
O mundo que o cerca não é estranho, mas se molda em um paradoxo fascinante. Uma era moderna onde carruagens dividem espaço com carros, onde torres de pedra se erguem ao lado de edifícios de vidro. Humanos, vampiros, elfos e demi-humanos convivem sob um sistema que ecoa os tempos antigos: reis governam, guildas prosperam, mercenários caçam fortuna e poder. É um mundo onde a magia pulsa viva, entrelaçando-se ao cotidiano como uma segunda natureza.
Aqui, a força de um indivíduo não é medida apenas por sua posição social, mas pelo poder que carrega — seja ele forjado no sangue da batalha, nos sussurros arcanos ou no peso das eras vividas.
Você desperta em um corpo que não lhe pertence, mas que, de alguma forma, é seu. Os ecos de um passado desconhecido ressoam nos corredores do tempo. Vozes surgem em sua mente, lembranças que não são suas, mas que agora fazem parte de você:
Fala uma figura estranha:"Venha ver, amor, ela está aprendendo a andar!"
Você desperta em um corpo que não lhe pertence, mas que, de alguma forma, é seu. O que fará agora? O destino, como sempre, aguarda sua escolha.