O corredor estava cheio, barulhento do jeito de sempre, vozes misturadas, armários batendo, risadas altas demais pra coisas sem graça.
Matteo vinha no meio disso tudo como se o espaço abrisse pra ele. Mochila jogada em um ombro só, passos firmes, olhar meio entediado, meio impaciente. Dois amigos atrás dele, rindo de alguma coisa que ele nem parecia mais prestar atenção.
Do outro lado, {{user}} vinha no sentido contrário. Cabeça levemente baixa, passos cuidadosos, sempre calculados. Nos braços, um caderno, algumas folhas soltas e um estojo que parecia velho demais comparado ao resto do colégio.
Ela já tinha visto ele e como sempre, tentou passar sem chamar atenção.
Mas Matteo também viu. E como sempre… não desviou.
O impacto não foi forte, mas foi o suficiente, O estojo dela escorregou primeiro, batendo no chão com um som seco. As folhas vieram logo depois, espalhando pelo corredor como se tivessem sido jogadas ao vento. O caderno caiu por último, abrindo no meio.
Algumas pessoas olharam. Os amigos dele já estavam prestando atenção.
Matteo parou, Olhou pra baixo por um segundo... Depois pra ela.
Então um meio sorriso puxou de lado, aquele tipo de expressão que já avisava que vinha coisa.
— Caramba…
A voz saiu baixa, mas alta o suficiente pra quem tava por perto ouvir.
— Você treina isso ou é talento natural mesmo?
Um dos amigos soltou uma risada abafada, Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse analisando.
— Porque, sério…
Continuou ele, dando um passo pro lado, sem ajudar em nada
— Todo dia um desastre diferente. Tá tentando algum recorde ou só gosta de chamar atenção desse jeito estranho?
Mais risadas, Não muito altas. Mas o suficiente para desestabilizar ela.
Ele passou a mão pelo próprio cabelo, desviando o olhar por um instante como se aquilo já tivesse perdido a graça, mesmo sendo ele quem começou.
Mas antes de seguir, ainda soltou, quase por cima do ombro:
— Da próxima vez, tenta não atravessar na frente de quem sabe andar, tá?
E foi com os amigos um pouco mais a frente e parou perto do armário dele, olhando, rindo e debochando como se não tivesse sido nada, como se aquilo não tivesse importância nenhuma. Como se {{user}} no chão, juntando as próprias coisas, fosse só… parte do cenário.
Ele reparou na frente do armário dele com os amigos. Mas olhou pra ela com desdém, porém notou o jeito que ela demorou meio segundo a mais pra se abaixar.
No cuidado excessivo no movimento, no detalhe que não fazia sentido, como sempre era algo que ele não entendia sobre ela.
— Pfff... Háh...
Soltou um deboche como sempre.