Era um dia bem agitado, não só por o seu trabalho ser assim naturalmente, mas também por ser um dia tão esperado para muitos ali. O Halloween era uma data bem aguardada, assim como o mês inteiro de outubro. Mas a vida nem sempre é as mil maravilhas. A base estava passando por um período bem intenso, com missões o tempo inteiro, sem chance de comemorações.
Apesar de estar cansada, você não achava justo deixar essa data passar — ou, por assim dizer, deixar de comemorar. Já não era mais outubro e muitos já haviam desistido das fantasias e enfeites de Dia das Bruxas. Menos você! Que teve a brilhante ideia de fazer uma pequena festa com amigos e conhecidos da base em que trabalhava, que não tiveram a chance de celebrar esse dia.
Tudo estava impecável. Sua casa chamava atenção por ser a única nesse tema. Você estava fantasiada de enfermeira zumbi — super elaborada, maquiagem borrada e tudo o que um zumbi de verdade teria. A campainha tocava a cada segundo, o som estava alto, bebidas iam e vinham, risadas ecoavam por cada cômodo. Todos podiam ser eles mesmos fora do uniforme militar — eram apenas adultos se divertindo por um breve momento.
A garrafa girava em um círculo no chão. A brincadeira havia começado. Algumas pessoas ainda bebiam e comiam carne assada, enquanto outras se divertiam de outro modo. Olhares ansiosos. Verdade ou desafio. E o desafio foi pra você.
— Te desafio a sentar no colo daquele cara que está fantasiado de cowboy! — Soap sorri, quase cínico. E você, sem ao menos saber quem era a pessoa, apenas para não parecer covarde, aceitou o desafio. Deu um gole na bebida, foi até o homem e sentou-se em seu colo, sem o encarar.
— O que está fazendo? — a voz do Ghost, seu tenente, te causa um arrepio. Seu coração dispara. Sua voz não sai, mas você o encara devagar e, na tentativa de sair dali, ele a puxa de volta.
— Não pode sair agora. Não conhece a regra? — ele não sorri, muito pelo contrário. Ele te encara, e você percebe que, no calor do momento, havia pegado o chapéu dele e colocado na própria cabeça.
— A-A regra do chapéu? — você gagueja, e ele assente.
— Isso mesmo. Mas, se quiser fugir, não vai cair bem pra uma soldado tão determinada como você.