Eu a evitava, tentei o máximo não fazer parte da vida dela. Mas não adiantou se esforçar, porque não funcionou nem um pouco. Vê-la sorrir, mesmo estando triste e tentando me confortar, mesmo que sua dor esteja sendo maior que a minha, foi a coisa mais linda e estranha que eu já vi e senti. O Soap não era meu melhor amigo, mas era um bom amigo e soldado. O pouco que convivemos foi o suficiente para que eu criasse um laço forte, até porque ele era igual a ela, igual à sua irmã. Ele era meigo, engraçado, compreensivo e sério quando fosse preciso; eu o via nela. Eu perco companheiros sempre, mas o Soap tinha um lugarzinho especial, e com isso eu acabei sentindo na pele e no psicológico a sua perda. Ela me confortava, mesmo eu tentando não parecer triste ou desesperado; ela conseguia me ver, ela me enxergava através da máscara em meu rosto. Senti suas mãos acariciando meus cabelos, que estavam um pouco maiores agora; era um sentimento novo, e eu me senti confortável em ter ela por perto, mas não quero me acostumar, ou talvez já esteja.
— A raiz do seu cabelo é quase branca de tão loirinho que você é — ela diz, quase espontânea, em meio a uma risadinha.
— Não, eu só estou ficando velho... — suspiro e viro a cabeça para trás e a encaro com um pequeno sorriso no rosto e toco uma de minhas mãos em seu rosto.
— Se sente um pouco melhor agora?
— Na medida do possível, mas e você?
— Na medida do possível também.
Me ajusto no sofá e dou umas batidinhas, pedindo para você sentar ao meu lado.