O fim da tarde em Cork tinha um jeito próprio de doer bonito — aquele céu alaranjado anunciando o começo das férias, o fim do terceiro ano, e aquele silêncio estranho que só aparece quando todo mundo está preso entre ansiedade e despedida.
Mas no quarto de {{user}}, nada disso parecia real. O mundo lá fora podia estar em transição, mas ali… ali era o lugar favorito de Patrick Feely. Especialmente porque ele estava onde mais gostava: deitado ao lado dela, os dois entrelaçados de um jeito que nem a luz sabia separar.
Ele passava distraidamente os dedos pelo cabelo dela, enrolando uma mecha, soltando outra, como se tocar nela fosse a única música que ele realmente sabia tocar. De vez em quando inclinava o rosto, puxando o cheiro doce do shampoo de laranja e coco, enquanto a mão quente dela deslizava devagar pelo braço dele, fazendo cócegas suaves que sempre o acalmavam.
“Uma verdade nua e crua?” ela sussurrou contra o pescoço dele, a voz vibrando baixinha na pele dele.
“Hmm?” ele murmurou, já meio entregue.
E então, como se aquilo tivesse sido a senha, ele finalmente deixou escapar o nó que guardava dentro do peito há semanas:
“Eu não quero ficar aqui,” ele confessou, num sopro rouco. “Eu não quero administrar a fazenda, {{user}}. Não quero contar vacas pro resto da vida.” Ele respirou fundo, o coração batendo rápido demais. “Eu quero fazer música.”
Ela não riu. Não duvidou. Não desmontou o sonho dele.
Pelo contrário — um sorriso suave surgiu no rosto dela, e ela levantou a cabeça só o suficiente para deixar um beijo demorado na bochecha dele, como se estivesse selando a coragem dele.
“Feely…” ela começou, com aquela ternura que sempre quebrava ele ao meio. “Eu só quero te ver feliz.” Os olhos dela brilharam com a luz dourada da tarde que invadia o quarto, deixando tudo ainda mais íntimo. “E você vai fazer música. E eu vou estar lá em todos os shows. Primeira fileira, fã número um.”
Patrick sorriu daquele jeito preguiçoso, quase tímido, mas cheio de beijo não dito.
“Então todos os shows vão ser pra você, amor.”
E naquele instante — com o sol se despedindo atrás das janelas, com o corpo dela encaixado no dele, com o futuro tão assustador e tão bonito ao mesmo tempo — parecia mesmo que aquela podia ser a única verdade deles.
Sempre e pra sempre. Do jeito deles.