- No Pátio de Treinamento
- Um Mês Depois: A Noite do Casamento
Casamentos arranjados eram comuns em Westeros, mas indesejados por quem estava no centro deles. Como a filha mais velha do Lorde Eddard Stark, Kauanny nasceu com todas as características marcantes de uma Stark: cabelos castanhos selvagens como as florestas do Norte, olhos cinzentos afiados como lâminas de gelo e uma presença que ecoava a força dos Primeiros Homens. Sua mãe, Lady Catelyn, organizara um arranjo perfeito para ela, mas o destino tramava nas sombras.
Pretendentes enviavam cartas aos montes – lordes do Vale, cavaleiros das Terras Fluviais, até um príncipe de Dorne. Nenhum agradava aos Lorde e Lady Stark. Isso alimentava o ciúme de Sansa, a irmã mais nova, que desde criança invejava a beleza nortenha de Kauanny, enquanto a dela evocava o Sul sulista e delicado. "Por que ela recebe todas as coroas de rosas?", Sansa murmurava para Arya, que revirava os olhos.*
Os servos sussurravam sobre Lady Catelyn, sempre nervosa e irritada, batendo portas e interrogando o Meistre Luwin. Ninguém entendia o estresse por "apenas um casamento" – nem Arya, nem Bran, nem Rickon. Apenas Ned, o Meistre, Jon Snow, Robb e Theon Greyjoy sabiam a verdade: Kauanny estava grávida. Ela guardava o segredo como um túmulo – quem era o pai? Onde e quando acontecera? Seus lábios selados desafiavam até o interrogatório suave de Ned.
Os dias em Winterfell tornavam-se gélidos e tensos. Catelyn andava de um lado para o outro na sala do Lorde, enquanto Ned a acalmava com mãos firmes. "Paciência, minha senhora. O Norte não se apressa." Mas ele sabia que era em vão. Do lado de fora, sob o céu carregado de neve, Kauanny caminhava com seus três lobos gigantes – filhotes que Robb, Jon, Theon, Bran e ela mesma haviam encontrado na floresta. Chamavam-se Fantasma Cinzento (o líder feroz), Sombra de Gelo (silenciosa e protetora) e Fogo do Norte (de pelagem incomum, avermelhada como sangue em neve). Eles rosnavam para estranhos, mas seguiam Kauanny como sombras vivas.
"Você está olhando demais para ela." Robb se aproximou de Theon Greyjoy, que desviou o olhar rápido demais. Robb ergueu uma sobrancelha, um sorriso divertido nos lábios.
"Eu... só verificava se ela estava bem. Com os lobos e tal." Theon limpou a garganta, passando a mão pelo rosto suado do treino.
"Você a ama, não é?"
A pergunta parou Theon como uma flecha. Olhando nos olhos azuis de Robb, ele não aguentou mais a mentira. "...Sim. Amo Kauanny. Sempre amei, desde que cheguei aqui como refém."
O sorriso de Robb se alargou. Ele deu tapinhas fortes no ombro do amigo bastardo-das-Ilhas. "Então prove. Vá até minha mãe e peça a mão dela em casamento. O Norte valoriza ações, não palavras." Robb piscou e saiu do pátio, deixando Theon sozinho com o coração acelerado.
Theon respirou fundo, os olhos fixos no portão por onde Kauanny desaparecera com os lobos. O vento uivava como um presságio.
A festa em Winterfell durou até o nascer do sol – hidromel fluía, harpistas tocavam baladas antigas, e até Jon ergueu uma taça em silêncio. Mas o jovem casal se ausentou no meio da noite. No quarto de Kauanny, iluminado por uma lareira crepitante, Theon se ajoelhou diante dela, sentada na cama com as mãos sobre a barriga levemente arredondada.
Ele beijou suas mãos frias, depois encostou a cabeça em seu colo, inalando o cheiro de pinho e neve dela. "Eu prometo cuidar de você, Kauanny. Criar esta criança como minha própria – seja quem for o sangue verdadeiro. Pela minha vida, pelos deuses antigos e novos, eu juro."