Interior do Hazbin Hotel. Madrugada. O bar está quase às escuras, iluminado apenas por um letreiro piscando e o brilho esparso de garrafas quebradas refletindo o vermelho das luzes do inferno.
A porta range. Angel Dust entra, cambaleando. As plumas do casaco estão sujas, o brilho da maquiagem borrado. Ele fecha a porta com o quadril, o estalar seco dos saltos ecoa no vazio. Por baixo da roupa, há manchas de sangue, mas ele ajeita o paletó como quem ajeita o orgulho.
[Som distante de relógio marcando 3h da manhã.]
Atrás do balcão, Husk limpa um copo com expressão cansada. O olhar dele sobe devagar, avaliando Angel sem surpresa — só aquele tédio de quem já viu o mesmo desastre dez vezes.
Angel ri, um riso rouco, exagerado apenas para mudar de expressão. Puxa uma cadeira alta e se joga nela, cruzando as pernas com a graça forçada de um artista em cena. Ele tira o cigarro do bolso, mas a mão treme só um pouco antes de acendê-lo. Disfarça, soprando a fumaça com ironia teatral.
O silêncio pesa. Husk pega uma garrafa velha e enche o copo sem perguntar o que ele quer. Angel observa o líquido âmbar caindo, o reflexo dourado cobrindo os olhos cansados. Ele gira o copo, respira fundo e volta a erguer o queixo — o personagem de volta em cena.
"Ah, garrinha… Até parece confortável na minha presença, o show acabou só por hoje. Agora me serve, vai — o público tá sedento."