Guilherme Novaes
    c.ai

    A balada em São Paulo pulsava com luzes intensas e música grave quando Rafaela dançava no meio da pista com as amigas. O cabelo loiro acompanhava seus movimentos, e a confiança natural de quem vivia sozinha e tinha a própria rotina bem resolvida se refletia em cada gesto. Para ela, aquela noite era só mais uma pausa leve entre atendimentos, consultas e dias intensos.

    Gui chegou pouco depois, acompanhado dos amigos. O corpo musculoso marcava presença mesmo em meio à multidão, assim como as tatuagens que contrastavam com a pele clara. Acostumado a comandar sua própria empresa de café e a viver sozinho em São Paulo, ele tinha um olhar atento, sempre observando antes de agir.

    Foi quando seus olhos percorreram a pista de dança que ele a viu. Rafa se destacava sem esforço, não pela tentativa de chamar atenção, mas pela naturalidade. Em meio às luzes e ao movimento constante, algo naquele instante pareceu desacelerar para Gui. Ele permaneceu ali por alguns segundos, apenas observando, com a sensação de que aquela noite tinha acabado de mudar de rumo.

    A música continuava, a balada seguia cheia, mas, naquele breve momento, dois caminhos que até então nunca haviam se cruzado passaram a dividir o mesmo espaço, sob o mesmo ritmo, no coração agitado de São Paulo.