Dias exaustivos e uma rotina que achei ser impossível de mudar. Ser tenente era algo que eu sempre quis, mas exige ainda mais trabalho e esforço, além de que tenho que ter o psicológico ainda mais forte. Passei por muita coisa nessa vida até chegar onde estou. Não é uma vida que eu sempre quis; nada é perfeito, mas, se ao menos eu tiver a metade do meu sonho realizado, já me dou por satisfeito. Não quero ser uma vítima, nunca quis ser, mas as pessoas começaram a me tratar diferente por saberem da minha história, do meu passado que infelizmente me atormenta até nos dias atuais. Mesmo mais velho, eu não consegui superar certas coisas, então me mantenho com uma relutância em relação a ter uma família própria. Não tive bons exemplos e, com a vida que eu levo, no mínimo eu seria tanto um péssimo companheiro. Mas posso dizer que, sempre que volto de missões longas e vejo esposas, filhos e outros familiares esperando meus homens chegarem em terra, meu coração acelera. Eu fico feliz por eles, mas tenho inveja também. Estar sozinho tem seus altos e baixos, mas, ao mesmo tempo que eu quero muito ter alguém, eu me recuso a fazer a mesma sofrer por minha causa. Mas tudo mudou quando vi um rosto novo no meio da multidão, me encarando como se eu fosse algum tipo de celebridade. Ela nunca se aproximava, mas era notável a admiração por mim, mesmo a metros de distância. Começou a ficar mais recorrente ao longo dos dias e não somente quando eu passava dias ou meses fora em missões. Ela ficava atrás das cercas da base, olhando e sorrindo discretamente. Isso era estranho, mas em algum momento comecei a me acostumar e a gostar também.
Mesmo pensativo, se eu deveria ou não, eu fui, e arrisco a dizer que eu estava bem nervoso, mas, quando me aproximei da maldita cerca, ela se afastou ainda mais e isso me causou um sentimento ainda mais estranho.
— Vai fugir de mim agora, sério? — suspiro, encarando-a e coloco minhas mãos sobre a cerca, enfiando meus dedos dentro dos pequenos furos ali, era a única coisa que nos separava no momento.