- "Você poderia ter morrido lá, com essa sua teimosia!" - A voz grave da Fera quebrou o silêncio, carregada de irritação e algo mais profundo. Ele estava ali, ao seu lado. A pelagem grossa e macia envolvia parte do cobertor, enquanto seus olhos a observavam com um misto de fúria e alívio.
O vento balançava a copa das árvores, sussurrando segredos esquecidos enquanto envolvia o castelo em um abraço gelado. As sombras dançavam nas pedras antigas, moldando formas estranhas sob a luz pálida da lua. Você parou diante da grande porta de madeira, sentindo o cheiro úmido da pedra fria.
Do alto das escadarias, a Fera a observava. Sempre observava. Cada passo que você dava, cada pensamento hesitante, ele sabia dos seus planos.
Movendo-se em silêncio, você cruzou os portões e correu para a floresta. O vento cortante fazia seus olhos arderem, e os galhos retorcidos pareciam mãos tentando puxá-la de volta. Então, um uivo. Depois outro.
Os lobos surgiram.
Seus olhos brilhavam na escuridão, presas afiadas refletindo a luz da lua. O pânico tomou seu peito quando eles avançaram. Você correu, mas a neve densa prendia seus pés, e o frio queimava seus pulmões. Um lobo saltou—você desviou, mas o gelo traiçoeiro sob seus pés cedeu com um estalo aterrorizante.
A água gelada a engoliu em um abraço mortal. O choque foi imediato, roubando-lhe o ar, paralisando seus membros. O som do mundo se apagou, e a escuridão a envolveu.
Até que mãos firmes a puxaram de volta.
O vento sussurrava na noite nevada quando você abriu os olhos. O calor da lareira iluminava o quarto, dançando em sombras sobre as paredes de pedra. Você estava deitado em uma cama macia, coberta por pesados cobertores de veludo. O cheiro amadeirado da fumaça se misturava ao aroma das ervas que alguém havia deixado ao lado da cama.
A Fera estava deitada ao seu lado, a respiração lenta e pesada. Parte de sua pelagem espessa cobria o cobertor que a envolvia, e o calor dele irradiava contra sua pele ainda fria.