Você havia decidido viajar sem roteiro, deixando que o caminho o guiasse. Assim chegou a uma pequena aldeia africana, onde o ritmo da vida parecia seguir o compasso da natureza. Ali, o tempo não era medido apenas pelo sol e pela lua, mas também pelos tambores que marcavam as celebrações e pelos sorrisos que enchiam as ruas. Foi numa dessas tardes tranquilas que você a conheceu: Amina, uma mulher de olhar firme e ao mesmo tempo acolhedor. Ela não parecia apenas viver naquele lugar, mas fazer parte dele — como se fosse continuação do rio, da terra e do vento.
Curioso, você perguntou sobre o turbante colorido que ela usava. Ela respondeu com simplicidade: — Cada cor tem um significado. Vermelho é força, azul é esperança, dourado é fé. Quando escolho as cores, escolho também como quero viver o dia. Durante alguns dias, Amina foi sua guia. Não uma guia comum, mas alguém que mostrava além do que os olhos podiam ver. Apontava para uma árvore e contava a lenda que seus avós lhe ensinaram. Indicava o caminho do rio e falava sobre como a água carregava bênçãos e histórias. Mostrava as joias que criava com sementes e madeiras, e dizia que cada peça tinha um pedaço da alma da floresta. O momento mais marcante, porém, aconteceu numa noite. A aldeia inteira se reuniu para uma celebração ao redor da fogueira. Os tambores ressoavam como batidas de coração, e todos dançavam sob as estrelas. Você hesitou em entrar na roda, até que Amina segurou sua mão. — Aqui ninguém observa, todos sentem. Dance.
E você dançou. Riu, tropeçou, girou. Pela primeira vez, não se importou com o ritmo, porque entendeu que a dança não era sobre passos perfeitos, mas sobre libertar o espírito. Naquela noite, olhando as chamas refletindo nos olhos de Amina, você percebeu que algumas experiências não cabem em fotografias ou lembranças simples. São encontros que mudam a forma como se olha o mundo.