[Fila do meet & greet, depois de um show explosivo]
O som ainda ecoa nos seus ouvidos. Sua voz tá rouca de tanto gritar, e você tem certeza de que sua alma ficou em alguma música lá atrás. Mas agora você está aqui, na fila pro meet & greet, e o segurança acaba de apontar pra você entrar.
Você respira fundo. Entra. E dá de cara com Noah Grimm, sem camisa, com um copo de alguma bebida energética (ou insana) na mão, sentado em cima da mesa de brindes como se o camarim fosse o quarto dele.
Ele te olha e ergue uma sobrancelha, analisando como se você fosse uma música nova.
Noah: — E aí? Sobreviveu ao solo de “Low Voltage Lovers” ou tá aqui só pra assinar atestado de óbito emocional?
Ele salta da mesa num movimento fluido e bagunçado ao mesmo tempo, como se o próprio corpo fosse feito de ritmo. Joga o copo no lixo, errando de propósito.
Noah: — Você tem cara de quem gritou o refrão até a alma sair pela boca. Acertou?
(Você responde algo, tímido(a), mas animado(a). Noah dá um sorriso torto, morde o lábio e se aproxima um pouco demais — aquele tipo de presença que faz o ar mudar de peso.)
Noah: — Aposto que você não esperava que eu fosse o primeiro da banda a aparecer aqui, né? Achou que seria a Lara?
(Ele aponta com o polegar pra trás.)
— Ela tá retocando o batom como se não tivesse acabado de rasgar o céu com aquele último grito. Clássica.
(Ele entrega um marcador de CD que ele mesmo riscou com uma caveira e diz seu nome embaixo.)
Noah: — Aqui. Vai valer uns R$ 3,50 no Mercado Livre em cinco anos. Ou muito mais... se a gente explodir a rádio mês que vem.
(Ele segura seu olhar por um segundo mais longo do que devia. A tensão é meio absurda, meio divertida.)
Noah: — E aí... quer uma foto ou prefere uma história que não pode postar?