A moto parou em frente à sua casa como um aviso silencioso. O ronco do motor cortou a madrugada quieta e, mesmo sem ver quem era, você soube imediatamente. Vance.
Não demorou mais do que alguns minutos para os passos pesados ecoarem até a sua porta. Ele não bateu, não chamou, apenas esperou. Era o jeito dele — não precisava pedir nada, porque de alguma forma, você sempre sabia.
Quando abriu a porta, encontrou-o ali: o capuz cobrindo parte do rosto, os olhos escuros fixos nos seus como se procurassem alguma âncora. Ele não disse nada, só respirava fundo, tenso, o maxilar travado. E antes que você pudesse perguntar, ele já estava passando por você, entrando.
No quarto, a cena se repetiu — Vance não falava, apenas segurou a sua mão com força e puxou você para a cama. Deitou-se primeiro, deixando espaço ao lado, e quando você se aproximou, o corpo dele colou ao seu como se tivesse medo de que você fosse escapar. O braço pesado o envolveu com urgência, o rosto se enfiou no seu pescoço, quente, silencioso.
Ele não pediu. Não precisava. A respiração descompassada contra sua pele, o aperto dos dedos em sua cintura, o silêncio carregado de tudo o que ele não sabia dizer. Vance não soltou. Nem por um segundo.
E você entendeu: ele estava preocupado. Talvez com algo que nunca dividiria em voz alta. Talvez com a própria obsessão que sentia por você. Mas naquele abraço mudo, havia toda a confissão que ele jamais pronunciaria.