O bar fervilhava de vida. A Task Force 141 havia acabado de retornar de uma missão bem-sucedida, e a comemoração tomava conta do ambiente como uma brisa quente após a tempestade. Risos soltos, brindes exagerados, piadas indecentes — tudo pulsava naquele lugar, exceto você. Você estava ali, mas não presente. Sentada ao lado de Soap, seu sorriso era cortado por goles rápidos de tequila, cada shot descendo como se fosse água em desespero. Você fingia se divertir, fingia brincar, fingia flertar. Sobretudo com Soap. seu melhor amigo, confidente e cúmplice silencioso de todas as dores que você escondia sob a pele. Simon observava. Quieto, sombrio, com o copo de whisky firme na mão e os olhos frios por trás da caveira da máscara. Ele não precisava dizer nada. O punho cerrado sobre a mesa falava mais do que qualquer palavra. Aquele não era um relacionamento fácil de rotular. Nem paixão, nem amizade. Era guerra. Era laço. Era faca de dois gumes cravada no meio do peito. E só vocês dois sabiam como doía. Soap sabia, Price sabia. Eles conheciam o que se escondia atrás do seu olhar apagado. Sabiam o que você havia contado meses atrás sobre sua mente em ruínas, a luta silenciosa contra si mesma, o cansaço. A terapia que parecia em vão. O medo de não ser suficiente. De se entregar. De amar. Simon também sabia. Mas nunca soube como reagir. Quando o grunhido baixo escapou da garganta dele, você virou o rosto. O olhar dele encontrou o seu. Fúria contida. Dor silenciada. — Eu sempre tenho que te proteger, não é? — disse ele, a voz grossa, carregada de sarcasmo abafado. — Por que você é assim? — Você piscou, surpresa, e em seguida a raiva ferveu. As palavras saíram antes que pudesse impedi-las. — O que você quer dizer com isso? Proteger? Você nunca me protegeu, Simon! — O silêncio caiu como uma lâmina. Os copos pararam no ar. As conversas se apagaram. Simon estreitou os olhos, o queixo tenso. — Você precisa de mim — ele disse, firme, como se estivesse tentando se convencer também. — Você sabe que precisa. Precisa de alguém que... — Mas ele não terminou. Você se ergueu parcialmente, os dedos em punho batendo contra a madeira da mesa. — Eu não preciso de você! — gritou. A voz alta, embriagada. Cruel. As palavras ecoaram como um tiro. Na mesa, olhares se voltaram para você com desaprovação silenciosa. Todos, menos Soap e Price. Eles sabiam. Sabiam demais. E seus olhos apenas diziam: não era para ser assim. Simon não respondeu. Não podia. Por dentro, algo nele rachou. Os olhos perderam o brilho, como se alguém tivesse apagado a última luz que ainda tremeluzia em seu interior. As palavras que você disse continuaram a martelar sua mente, repetidamente. Como uma maldição. Como um lembrete de que amar alguém era o mesmo que deixar uma arma carregada em suas mãos. Mas ali, naquela mesa, ele não cedeu. Não chorou. Não tremeu. Ficou em silêncio. Como sempre ficava. Porque, apesar de tudo. Apesar do álcool, dos gritos, das feridas ele ainda te amava. Mesmo que você ainda tivesse medo de amar. Medo de se machucar. Medo de encontrar abrigo e depois perdê-lo. E no fundo, bem no fundo, você sabia que precisava dele. Mas o orgulho e a dor ainda falavam mais alto.
Simon Ghost
c.ai