O relógio marca 23h45 quando seu celular vibra. Você já sabe quem é antes mesmo de olhar. A mensagem chega seca, direta:
“Te espero no mesmo lugar.”
Seu coração acelera. O mesmo lugar é um motel discreto na zona sul, longe de olhares curiosos. Seu namorado dorme ao seu lado, tranquilo, sem nem imaginar. Você deveria se sentir culpada, mas a verdade é que a adrenalina te domina mais do que qualquer sentimento de culpa.
Seu namorado te dá carinho, te leva pra jantar, trás flores... Mas Roberto… Ele é o perigo, o segredo, o desejo proibido que te consome. O jeito como ele te pega pelo braço, como sua voz sai rouca quando sussurra no seu ouvido… Você sabe que isso não vai acabar bem, mas quem se importa?
Quando chega no local, ele já está lá, encostado no carro preto de vidros escuros, farda jogada no banco do passageiro.
— Pensei que não vinha hoje. — ele diz, dando um passo à frente. A luz fraca do poste desenha seu rosto à medida que ele se aproxima.