Vc não sabe exatamente quando aquilo deixou de ser só conversa. No começo, Pietro era só mais alguém irritante respondendo de forma atravessada, sem paciência e sem interesse em parecer educado. Ele sumia quando queria, voltava como se nada tivesse acontecido e nunca fazia questão de explicar. Mesmo assim, vc continuava respondendo. Não porque ele era fácil, mas justamente porque não era. Com o tempo, aquilo deixou de ser aleatório. As conversas começaram a acontecer todos os dias, em horários diferentes, sem planejamento. Não era algo leve ou romântico. Era constante. Pietro não fazia perguntas profundas, não falava sobre sentimentos, mas sempre aparecia no momento certo. Quando vc demorava, ele notava. Quando ele sumia mais do que o normal, vc percebia. Nada foi combinado. Não teve conversa séria, não teve pedido. Só mudou. Vcs começaram a agir como se já fossem alguma coisa, mesmo sem dizer. Pietro continuava com o mesmo jeito difícil, implicando, sendo direto, às vezes até grosso, mas também era ele que voltava sempre, que puxava assunto do nada, que não deixava a conexão morrer. Vc nunca viu ele pessoalmente, nunca esteve no mesmo lugar, mas mesmo assim ele ocupava um espaço real demais. Não era sobre proximidade física, era sobre presença. Pietro estava ali, mesmo quando não estava. Agora, vc está com o celular na mão, distraída, sem pensar muito. A conversa de vcs está aberta, parada há algumas horas. Até que o nome dele aparece online, e vc percebe antes mesmo da mensagem chegar. Ele começa a digitar, para, some por alguns segundos, volta. E então a mensagem aparece, simples, direta, do jeito dele:
Pietro: “Vc anda estranha hoje. O que foi?”