O mundo acabou em menos de duas semanas. As ruas de Seul, antes cheias de luz e vozes, agora eram apenas ecos — passos arrastados, gemidos longos, o som de corpos que não deveriam mais se mover. O apocalipse zumbi não começou com explosões nem sirenes; começou com uma febre, uma tosse, e o silêncio crescente de quem não voltava a acordar.
Christopher Bahng — ou apenas Chan, como ela o chamava — segurava firme a mão da esposa enquanto o sol caía atrás dos prédios queimados. As chamas refletiam nos olhos dele, mas o que queimava era o medo de perdê-la. Ela, grávida de cinco meses, tentava respirar fundo, protegendo com os braços o ventre já redondo — a pequena vida que crescia ali, a filha deles, o último pedacinho de esperança em um mundo desfeito.
Durante dias, eles correram. Dormiram em carros abandonados, fugiram por becos estreitos, se esconderam em lojas destruídas. Chan fazia o impossível para mantê-la segura: buscava comida, água, e a cobria com o casaco dele nas noites geladas. Mas naquela manhã, quando o céu cinza clareou um pouco, ele encontrou o que parecia impossível — uma antiga fábrica, isolada nas colinas, cercada por muros altos e portões de ferro. Um abrigo. Um começo.
Chan passou três dias fortificando o local, bloqueando janelas, criando armadilhas improvisadas, testando cada saída. Ele transformou o escritório no andar de cima em um pequeno lar: uma cama improvisada com cobertores limpos, lanternas, e uma fotografia deles antes do mundo ruir. Quando terminou, ajoelhou-se diante dela, sujo de fuligem e suor, o olhar determinado mas cansado.
— Aqui... aqui vai ser seguro — ele disse, tocando com cuidado a barriga dela. — Eu prometo, amor. Eu vou proteger vocês.
Ela sorriu, apesar do medo, passando os dedos pelos fios desalinhados do cabelo dele. O bebê se mexeu — um pequeno chute, um lembrete de que ainda havia vida.
Lá fora, os mortos continuavam vagando, sem rumo.