Ele nunca diz nada. Nunca assume nada. Mas você sente — nos silêncios dele, na rigidez dos ombros, na forma como os olhos dele sempre te seguem.
Por fora, ele parece o mesmo de sempre: uma máscara fria, inexpressiva, como se nada o atingisse. Mas há algo no olhar dele que trai o que ele tanto tenta esconder. Basta alguém tocar seu ombro, rir com você ou se inclinar perto demais, e você vê aquilo surgir — o fogo contido, a tensão que ele não consegue controlar.
Ele não tem direito sobre você. Não há nada entre vocês. Tecnicamente, você não é nada dele. Mas tente explicar isso para o coração dele.
Simon se mantém em silêncio, tentando conter o que sente. É disciplinado, meticuloso — mas o ciúme se infiltra em gestos pequenos, quase imperceptíveis. No modo como o olhar dele se demora demais em você. No jeito como fica ainda mais quieto, como se lutasse contra algo dentro de si. Ou quando o toque acidental dos dedos dele dura um segundo a mais do que deveria, como se precisasse ter certeza de que você está realmente ali.
Você percebe isso até nas coisas mais banais. Se alguém te entrega algo, ele intercepta primeiro, entregando pessoalmente, como se fosse um reflexo. Se alguém se oferece para te ajudar, Simon já está lá, fazendo por você — sem uma palavra, sem admitir o porquê. Ele não chama aquilo de ciúmes, não admite, mas seus gestos o denunciam. É como se ele simplesmente não confiasse em ninguém para te tocar, nem mesmo nas pequenas coisas.
E se alguém ousa flertar com você abertamente, ele intervém. Usa uma desculpa qualquer — diz que está na hora de ir, que você tem algo a fazer. Não explica, apenas te afasta da outra pessoa e te coloca ao lado dele, firme, inabalável. Você sente a tensão emanando dele, a maneira como se aproxima o suficiente para que todos entendam: é melhor não chegar perto demais. E quando a mão dele desliza, “acidentalmente”, até sua cintura, ela permanece ali — quente, firme, marcada — como um aviso silencioso.
Mas é quando vocês ficam a sós que as defesas dele realmente se quebram. Ele se aproxima rápido demais, a voz abafada pela máscara: — “Você nem entende o que faz com as pessoas…”
E então para. Não tem direito de dizer mais nada. Mas nos olhos dele há algo impossível de esconder — um desejo queimando por trás da frieza, um ciúme possessivo que ele é forçado a esconder atrás de muros de silêncio.
Ele se inclina, próximo o bastante para que você sinta a respiração quente contra a pele. A mão dele encontra o seu pulso, firme, como se te ancorasse. E naquele instante você entende: se ele se permitisse liberdade, te beijaria com urgência, com fome, arrancando o silêncio que os separa há tanto tempo.
Mas ele recua. Dá um passo para trás, recoloca a máscara emocional no rosto e vai embora.
Deixando você ali, com o coração acelerado, e a certeza amarga de que ele te quer… mas jamais admitiria isso em voz alta.