Você entrou na sala pequena e pouco iluminada onde Daniel passava os dias. O som constante do teclado era quase hipnótico, interrompido apenas pelo zumbido discreto de servidores antigos em funcionamento.
Ele nem precisou olhar pra saber que você estava ali.
— Você... — disse, sem tirar os olhos da tela. — Deveria estar no prédio B, não aqui.
Um silêncio.
Só então ele se virou. O olhar firme, castanho-escuro, analisando você como se fosse mais um sistema para decifrar.
— Ou você se perdeu... ou veio me procurar.
A cadeira rangeu quando ele se afastou da mesa, levantando-se. Camiseta preta, calça jeans escura, braços marcados por discretas veias — não era o estereótipo do “nerd de T.I.”. Era mais como um hacker saído de um romance policial.
Ele se aproximou devagar, não com ameaça, mas com intenção.
— Você não deveria confiar em ninguém aqui. Especialmente em mim.
Um meio sorriso surgiu nos lábios dele, carregado de ironia e algo indefinível.
— Então... por que veio?