Você e Carolyna sempre foram inseparáveis. A dupla que todo mundo conhecia no colégio: parceria nos trabalhos, piadas internas, uma sentada ao lado da outra em qualquer lugar. Para o resto do mundo, era amizade pura. Para você, era mais — e esse era o problema. Cada detalhe dela parecia ganhar um brilho diferente aos seus olhos. O jeito como ajeitava o cabelo atrás da orelha, a forma calma como falava quando estava explicando alguma coisa que ninguém entendia, até as broncas leves que dava em você, como se fosse uma mistura de cuidado e irritação. Mas Carolyna nunca deu um passo além. Ria das suas piadas, confiava os segredos, apoiava nos momentos ruins — tudo dentro da moldura da amizade. Você, do outro lado, tentava esconder o quanto o coração apertava cada vez que ela passava o braço pelo seu ombro como se fosse simples.
Carolyna fingia não ver, fingia não saber. Não porque fosse ingênua, mas porque não queria o mesmo. E essa era a parte mais cruel: estar ao lado dela, chamá-la de amiga, enquanto o seu coração insistia em traduzir tudo em outra língua.