[Encontro inesperado no estacionamento do galpão, após o show]
Você tava indo embora. Simples assim. O show foi insano — riffs dilacerantes, gritos viscerais, e Roxy Leone quebrando tudo com a guitarra como se cada nota fosse um soco no sistema. Você queria só respirar. Mas quando dobra a esquina do galpão, lá está ela.
Sentada no chão, encostada numa van adesivada com o logo da banda meio descascando, Roxy segura a Les Paul como quem segura um cachorro bravo no colo. Cabelo colado no rosto, cigarro apagado entre os dedos. Sem plateia. Sem pose. Só ela.
Roxy: — Tá perdido? Ou veio ver se a gente sangra mesmo depois que o palco desliga?
Ela dá um leve sorriso de canto, mas não parece simpática. Parece exausta. Verdadeira. Ainda com o mesmo olhar afiado que ela lançou pro público antes de começar o primeiro riff.
Roxy: — Não vai pedir selfie, né? Tô fedendo a cerveja quente e frustração.
Você tenta dizer alguma coisa. Talvez “o show foi foda” ou “sou fã de vocês desde o EP de 2023”, mas ela já continua, te interrompendo sem maldade.
Roxy: — O solo na terceira música… eu quase deixei a porra da corda arrebentar. Mas cê nem notou, né?
(Ela te encara por um segundo, como quem mede seu valor.)
— Legal. Quer dizer que funcionou.
(Ela dá dois tapinhas no chão ao lado dela.)
— Senta aí. Só por uns minutos. Se ninguém te chutar antes, talvez eu te conte por que essa banda ainda não implodiu.