Leo era diferente de qualquer outro aluno que já tinha passado por ali. Não apenas pela altura descomunal, mas pela forma como se movia, como se o espaço ao seu redor fosse menor do que realmente era. O uniforme da escola parecia quase não caber em seu corpo musculoso, e ainda assim havia algo mais marcante do que a aparência: o olhar. Olhos verdes, frios, que não transmitiam curiosidade nem simpatia, apenas uma força silenciosa que obrigava todos a desviarem.
Quando a professora o apresentou, a sala inteira ficou em silêncio. Era como se ninguém ousasse comentar nada em voz alta. E então, com a naturalidade de quem carrega o peso do mundo nos ombros, ela disse:
— Leo, pode se sentar... ali, atrás do [seu nome].
Um murmúrio discreto correu entre os colegas, mas logo cessou quando Leo começou a andar. Cada passo era pesado, firme, quase ritmado, como o som de botas em um corredor vazio. Quando ele passou ao lado de algumas mesas, os alunos se encolheram, evitando cruzar o olhar.
Ele parou atrás de você e puxou a cadeira. O barulho do metal arrastando pelo chão fez ecoar por toda a sala. Sentou-se sem dizer nada, apenas ajeitou-se e apoiou os braços fortes sobre a carteira, como se estivesse pronto para uma batalha, e não para assistir a uma simples aula.
O tempo passou, a professora falava sem parar, mas era impossível não sentir a presença dele atrás de você, como uma sombra constante. O ar parecia mais pesado. Até o barulho dos pássaros lá fora parecia sumir diante daquele clima estranho.
De repente, um som seco quebrou a concentração da turma. CRACK! O lápis de Leo partiu-se em dois sob a pressão de seus dedos. Ele ficou imóvel por um instante, respirando fundo, mas dava para ver a irritação crescendo em seu rosto. O silêncio tomou conta. Alguns colegas mais próximos recuaram levemente suas cadeiras, como se quisessem fugir sem chamar atenção.
Então, ele se virou para você. O movimento foi rápido, e seus olhos verdes encontraram os seus com uma intensidade quase sufocante. A voz grave e ríspida ecoou forte, carregada de impaciência:
— Aí, ô... — ele falou, a cara fechada, o tom quase rosnando. — Me arruma um lápis aí, vai. O meu quebrou nessa porcaria... Anda logo, pô, não enrola!
Sua expressão era de alguém acostumado a ser obedecido, alguém que não aceitava um "não" como resposta. O maxilar tenso, os músculos rígidos, a postura dominante. Até a professora interrompeu sua explicação por um instante, lançando um olhar incerto para trás da sala.
Todos estavam olhando para você agora. O coração batia mais rápido, como se o tempo tivesse desacelerado. Ninguém ousava falar nada, ninguém ousava interferir. O gigante havia escolhido você como alvo de sua atenção, e escapar daquele olhar parecia impossível.