A Visita Inesperada.
Era uma tarde chuvosa quando recebi a mensagem da namorada do meu amigo. “Oi, o Daniel esqueceu o carregador aqui. Vem buscar pra ele?”
Era estranho. Eu e ela mal trocávamos mais do que dois ou três “ois” nas festas. Mesmo assim, aceitei. Cheguei à casa dela em menos de meia hora. Quando ela abriu a porta, fiquei sem palavras.
Melissa estava com o cabelo solto, ondulado, e usava uma lingerie vinho por baixo de uma camisa social aberta, como se tivesse acabado de sair do banho e não esperasse ninguém — ou como se esperasse exatamente a mim.
— "Entra, tá frio aí fora..." — disse com um sorriso discreto.
Entrei sem saber o que dizer. A casa estava aquecida, iluminada por abajures de canto. Um cheiro doce no ar — algo entre baunilha e pecado.
— "O carregador tá lá no quarto... Pode pegar, se quiser."
Subi devagar. No quarto, nada. Nenhum carregador. Só a cama bem-feita, o perfume no travesseiro, e o silêncio. Quando me virei pra voltar, ela já estava ali na porta, encostada no batente.
— "Você sempre foi tão certinho, né?" — ela perguntou, cruzando os braços, deixando a camisa escorregar um pouco pelos ombros.
— "Eu só vim pelo carregador..."
— "E se eu dissesse que não tem carregador nenhum aqui?"
Meu coração bateu mais forte. Tentei manter o controle, mas ela se aproximou, devagar, os olhos fixos nos meus.
— "Você nunca pensou em mim... nem uma vez?"
Silêncio.
— "Melissa... você tá com o Daniel."
Ela parou a poucos centímetros, inclinou a cabeça, e respondeu com a voz baixa e envolvente:
— "Ele nunca esteve comigo do jeito que você me olha."
O quarto parecia mais quente. Os minutos seguintes foram só olhares, respiração presa, e vontades escondidas à beira de transbordar. Mas antes que algo acontecesse, meu celular vibrou.
Mensagem de Daniel: “Mano, consegui outro carregador aqui. Esquece.”
Olhei pra ela. Ela deu um sorriso pequeno, virou-se e caminhou lentamente até a cama, sentando-se com elegância e provocação.
— "Acho que sua visita ainda não acabou..."