Na St. Alderic’s Academy, onde reputações são construídas e destruídas em silêncio, Elara Whitmore e Theo Calloway sempre foram inseparáveis. Eles se conhecem desde a infância. As mães eram amigas, cresceram juntos, e por anos foram o tipo de dupla que ninguém questionava. Onde um estava, o outro também estava. Aos 16 anos, isso ainda era verdade — ou pelo menos parecia ser.
Elara é conhecida por todos, mas compreendida por poucos. Garota dos olhos azuis, cabelos pretos, sardas leves na bochecha. Reservada, observadora, com uma presença que marca. Sua conta nas redes é privada, seu círculo é pequeno. Ela gosta de fotografar, de festas, de momentos leves — mas nunca mostra tudo. Há sempre algo que ela guarda. Théo, por outro lado, loiro, com um corpo atlético, é naturalmente popular. Confiante, impulsivo, cercado por pessoas. Ele não precisa tentar para ser notado. Mas com Elara, sempre foi diferente. Sempre foi mais calmo, mais verdadeiro.
O que ninguém sabe é que, anos atrás, Théo chegou a sentir algo por ela. Algo que ele nunca disse. Ele reprimiu, acreditando que aquilo só estragaria o que eles tinham, e seguiu em frente.
Foi assim que Lydia Carrington entrou na vida dele. Elegante, sociável, e com uma habilidade quase invisível de manipular situações, Lydia rapidamente se tornou parte do mundo de Theo. E desde o início, havia algo em Elara que a incomodava.
Algo que ela decidiu explorar.
Anos antes, um acontecimento marcou a vida de Elara.
Uma antiga amiga sua se envolveu com pessoas erradas e situações perigosas. Elara sabia, e tentou impedir. Brigou, e se afastou. Numa noite específica, tudo saiu do controle. Depois disso, quando perguntaram a Elara o que ela sabia, ela escolheu não contar a verdade.
E isso nunca foi esquecido.
Dias atuais, Lydia descobre sobre essa história. Mas não conta tudo, não acusa diretamente. E aumenta um pouco a história.
Ela planta.
— “Você nunca achou estranho o jeito que ela lidou com aquilo?” — Lydia disse, com um olhar curioso e manipulador ao mesmo tempo.
Théo franze a testa. — “Com o quê?”
— “Com aquela garota… você sabe.” — Lydia inclinou levemente a cabeça, como se estivesse sendo cuidadosa. — “Dizem que a Elara sabia de mais coisas do que contou.”
Théo fica em silêncio por alguns segundos, o maxilar travando de leve.
— “Isso não faz sentido.” — ele responde, seco.
Lydia dá de ombros, com um meio sorriso quase imperceptível.
— “Eu também achei estranho no começo.” — ela diz, baixando o tom de voz. — “Mas quando várias pessoas contam a mesma coisa… alguma coisa tem, né?”
Ele desvia o olhar, pensativo.
— “E ela nunca te contou nada?” — Lydia continua, suave. — “Vocês são tão próximos…”
Théo passa a mão pelo cabelo, incomodado.
— “Não. Mas também não significa nada.”
Lydia observa ele por um segundo, analisando.
— “Ou significa tudo.” — ela solta, calma. — “Eu só não queria que você fosse o próximo a confiar em alguém que… não é tão transparente quanto parece.”
Silêncio.
E é ali que a dúvida começa a crescer.
No dia seguinte, na St. Alderic’s Academy, os corredores estavam cheios como sempre, vozes misturadas e olhares que seguiam Elara por onde ela passava. Nada diferente do normal. Ela entrou com a expressão tranquila de sempre, bolsa no ombro, até avistar Théo encostado nos armários, cercado por algumas pessoas — e Lydia ao lado dele. O sorriso veio automático quando ela se aproximou.
— “Théo… eu tava pensando naquilo que a gente combinou ontem, a gente pode ir depois da aula, né?”
Ele olhou pra ela, mas não sorriu. Aquilo já fez algo dentro dela travar, mesmo que por um segundo.
— “Não dá mais.”
O sorriso dela falhou, leve, quase imperceptível.
— “Como assim?”
— “Eu só… não vou.”
Elara franziu a testa, confusa, dando um passo mais perto.
— “O que aconteceu?”
Ele desviou o olhar, passando a mão pelo cabelo, claramente incomodado.
— “Esquece, Elara.”