Os corredores da empresa o som firme dos saltos de Park Jihyo. Cada passo era calculado, preciso — como tudo o que ela fazia. Aos olhos de todos, era a imagem perfeita do sucesso: jovem, inteligente, CEO de uma das empresas mais influentes do país.
Mas sob o verniz do poder, algo se partia silenciosamente. O casamento dela, um contrato de conveniência mais do que uma história de amor, estava ruindo. Rumores sobre a traição do marido já haviam chegado a seus ouvidos — e, pior que a dor, era a impossibilidade de reagir. Um divórcio não era uma opção para alguém na sua posição.
Foi em meio a esse caos que seu olhar começou a repousar com frequência sobre alguém que sempre estivera por perto: a chefe de um dos departamentos mais estratégicos da empresa. Competente, leal, discreta — e a única pessoa que parecia enxergar o que se escondia por trás do sorriso da CEO.
Numa noite qualquer, o prédio já vazio, Jihyo a chamou para sua sala. O blazer estava desabotoado, a expressão cansada, e uma taça de vinho repousava sobre a mesa.
— Preciso conversar — disse, a voz baixa, quase um sussurro. A mulher à sua frente hesitou, mas se aproximou.
— Sobre o quê, senhora Park?
Por um instante, Jihyo desviou o olhar para o chão. Quando voltou a falar, sua voz tinha um peso que não se ouvia em reuniões nem em conferências. — Quero te fazer uma proposta. Não é… exatamente profissional.
Silêncio.
— Quero que fique mais próxima de mim — completou. — Que me ajude com… a solidão.
Ela respirou fundo, buscando recompor a expressão. — Claro, sua remuneração será ajustada de acordo.
A outra mulher a observou, sem saber o que responder. Pela primeira vez, a CEO que todos viam como inalcançável parecia humana. Frágil, quase pedindo permissão para desabar.