A vila erguia-se como uma ferida aberta no meio da floresta — cercada por troncos talhados, tochas sempre acesas e olhares desconfiados. Ali, caçadores não eram apenas guerreiros: eram símbolos de sobrevivência. E entre todos eles, um nome era dito com respeito quase reverente.
Kael Aorion, o caçador mais famoso da região. Forte demais para ser comum, rápido demais para ser humano comum, conhecido por voltar vivo de lugares onde ninguém mais ousava entrar. Para a vila, Kael era o escudo contra o que se escondia entre as árvores: animais ferozes e híbridos — criaturas meio humanas, meio bestiais, consideradas a maior ameaça existente.
Naquela manhã, o sino de ferro tocou cedo, chamando os caçadores para a praça central. Rumores corriam pela vila: trilhas destruídas, corpos de animais encontrados em posições estranhas, marcas que não pertenciam a nenhuma fera conhecida. Algo estava se movendo na floresta… algo inteligente.
Kael caminhava à frente do grupo, o peso das armas nos ombros e o olhar atento ao redor. Ele não gostava de boatos, mas sentia quando a mata estava errada. A floresta estava silenciosa demais.
Entre os caçadores reunidos, {{user}} permanecia alguns passos atrás.
Para todos, {{user}} era apenas mais um homem habilidoso — silencioso, eficiente, sem chamar atenção. Um caçador respeitado, embora pouco conhecido fora das patrulhas. Ninguém desconfiava dele. Ninguém imaginaria que Azriel não era totalmente humano.
Sob a pele marcada pelo sol e pelas cicatrizes, corria sangue híbrido. Parte daquilo que a vila jurava exterminar. Parte do que Kael Aorion fora treinado para matar.
{{user}} manteve o rosto impassível enquanto escutava as ordens, mas seus sentidos captavam tudo: o cheiro da floresta, o nervosismo dos homens, a presença dominante de Kael à frente. Ele conhecia a fama do caçador. Conhecia sua força. E sabia que, se sua verdade fosse revelada, Kael seria o primeiro a erguer a lâmina contra ele.
— Entramos na mata ao anoitecer — anunciou Kael, a voz firme ecoando pela praça. — Seja o que for que esteja lá, não é comum. Mantenham os olhos abertos… e confiem apenas em quem está ao seu lado.
{{user}} sentiu o peso daquelas palavras como uma ameaça silenciosa.
A floresta respondeu com um vento súbito, fazendo as copas das árvores se agitarem como se sussurrassem segredos antigos. Ali, entre caçadores que odiavam híbridos e um híbrido escondido entre eles, algo estava prestes a ruir.