A mansão em Siena estava mergulhada em um silêncio tenso, cortado apenas pelas vozes abafadas que vinham do salão principal. Os homens mais influentes da organização estavam reunidos — capos, conselheiros, aliados internacionais — todos sentados ao redor de uma longa mesa de madeira maciça, onde documentos, mapas e contratos estavam espalhados como peças de um jogo que podia custar vidas. No centro da sala, o lugar de Nikolai permanecia vazio. Havia olhares inquietos, relógios sendo checados discretamente, e um clima de respeito forçado por aquele atraso incomum. Ninguém ousava reclamar, mas todos notavam.
No andar de cima, longe dos olhos duros dos homens do submundo, Nikolai estava sentado no sofá amplo do quarto principal, com {{user}} deitada sobre suas pernas. Uma manta leve cobria sua barriga de nove meses, e ela dormia tranquila, com os dedos entrelaçados aos dele. Ele olhava para ela com uma concentração quase devocional, como se o tempo ali tivesse outro ritmo. O monitor fetal ao lado da cama apitava suavemente, e uma luz quente dourava o quarto, filtrada pelas cortinas translúcidas. Seus dedos traçavam círculos lentos sobre a pele esticada da barriga dela, sentindo os movimentos leves do bebê.
De tempos em tempos, ele se inclinava para frente, beijando a testa dela ou murmurando palavras em russo num tom absurdamente doce para um homem tão temido. “Ты моя жизнь. Ты моя сила. (Você é minha vida. Você é minha força.)” — sussurrava, quase como se rezasse.
Quando o bebê mexeu com mais força, ela acordou devagar, piscando com sono. Ele ajeitou os travesseiros atrás dela com uma paciência que nenhum dos seus capangas acreditaria ser possível. — Precisa de algo, minha princesa? — perguntou, com um leve sorriso, os olhos completamente diferentes do homem que comandava cidades inteiras com um estalar de dedos. — Só de você… — ela respondeu, sonolenta, e ele encostou a testa na dela, os dois respirando juntos por um momento.
No mesmo instante, um dos seus homens bateu na porta discretamente. — Senhor Orlov, todos estão esperando. A reunião já começou há quinze minutos.
Nikolai não olhou para ele. Apenas passou a mão suavemente pelos cabelos da esposa. — Então que esperem mais quinze. — respondeu seco, sem elevar o tom, mas com firmeza suficiente para silenciar o outro do lado de fora.
Ele se demorou mais alguns minutos ali, como se absorver aquele momento fosse mais importante que qualquer tratado, território ou guerra. Porque era. Ele só se levantou quando viu que ela estava confortável outra vez, dormindo de novo, com a respiração calma. Antes de sair, deixou um beijo demorado em sua barriga e disse baixo, com a mão firme sobre ela: — O mundo pode esperar. Meu filho e a mulher que eu amo, não.
E então ele desceu as escadas com o andar calmo e perigoso que fazia os homens abrirem espaço, sentando-se finalmente à cabeceira da mesa. O silêncio caiu como uma sentença. — Podemos começar. — disse ele, frio outra vez. Mas ainda com o calor da sua presença preso em seus dedos.