Você andava distraída pela rua, cabeça cheia, fones no ouvido e o mundo ao redor em modo silencioso. O sol batia forte, mas nada que chamasse mais atenção do que a mão que, de repente, segurou seu braço. Firme. Segura. Quase... conhecida. Você se virou, assustada, mas a expressão no rosto do homem te paralisou por um segundo. Um sorriso torto, olhar intenso. E a tatuagem no pescoço, impossível de esquecer. — "Ei..." — ele disse, inclinando um pouco a cabeça, como se estivesse tentando confirmar — "Eu acho que te conheço." Seu coração errou um compasso. — "Daniel?" — saiu num sussurro. Ele abriu um sorriso debochado, aquele mesmo de três anos atrás, das chamadas de vídeo às três da manhã, das conversas esquisitas que sempre acabavam em risadas ou declarações possessivas. — "Sabia que era você." — ele soltou, sem largar seu braço. Você riu, sem saber se era nervoso ou de saudade.
Daniel
c.ai