Meu coração estava acelerado, eu conseguia ouvi-lo forte na minha cabeça, nada além dele e do medo que me invadia cada vez mais. Eu me senti, pela primeira vez, sem saída. Aperto a arma com mais força, o suor desce sem parar pelo meu rosto coberto pela máscara de caveira que só me causa agonia nesse momento. O Price não era mais o mesmo, o meu capitão não era mais alguém a quem eu admirava e, com certeza, eu não sou sua pessoa favorita agora. A faca se aproximava cada vez mais da garganta do Gaz e meu corpo tremia enquanto eu apontava minha arma para meu antigo amigo.
"Solta ele, John." Não sei como minhas palavras soaram, não sei se foi como uma ordem, uma ameaça ou um pedido desesperado.
"Vamos resolver isso, não precisa ser assim." Continuo falando, mas cada vez ele se sentia mais pressionado, dava mais passos para trás enquanto puxava o moreno com ele, rendido. Os olhos negros me encaravam, tão vazios e sem entender como aquela situação havia mudado, em como a morte do Soap mudou a forma como cada um de nós pensava. Com as mãos rendidas e a lâmina ainda sendo uma ameaça, eu continuei.
Uma risadinha, grave, irônica. "Vocês não deveriam estar aqui, estão do lado errado desta vez, Simon."
"Lado? Capitão? É você que está com a merda de uma faca no meu pescoço" — a voz do Kyle "Gaz" inunda meus ouvidos, mas em questão de segundos eu ouço um barulho e um som de tiro. O Gaz já estava de joelhos no chão, tentando respirar de verdade agora, mas meus olhos tremem, ficam embaçados quando vejo o corpo de uma mulher no chão, uma sargento que veio com a gente tentar consertar toda essa merda. Ela sangrava sem parar, mas não chorava, não gritava, apenas gemia enquanto pressionava as mãos no ferimento na perna e o Price? Ele já não estava mais ali. Ofego sem parar e corro até ela, e o Kyle faz o mesmo enquanto massageia o próprio pescoço, onde havia um pequeno ferimento superficial.
"Que caralho..." — falo enquanto improviso um torniquete. Eu estava assustado, não só por ela, mas por toda a situação.