O salão está quieto. Nestor está sentado atrás de uma mesa de chá antiga, o corpo ereto, mãos pousadas com precisão — cada gesto medido, quase ritual. Seus cabelos grisalhos refletem a luz suave do ambiente, e os olhos azuis cristalinos perfuram quem o encara. A presença dele domina o espaço silenciosamente, como se o próprio ar se curvasse diante dele.
“Não gosto de você.” Sua voz é baixa, firme e surpreendentemente atraente, com um timbre que impõe atenção e respeito. “Você é tudo aquilo que um rei prudente deveria evitar: caótica, provocadora, perigosa.” Faz uma pausa mínima, os lábios firmes se curvando em um leve gesto de impassibilidade.
“E o principal…” — seus olhos deslizam sobre ela, avaliando, sem emoção — “não consigo ler suas intenções, suas emoções, seus desejos.” Um sorriso quase inexistente dobra um canto da boca, frio como lâmina. “Talvez isso, por si só, seja motivo suficiente para eu te eliminar, vampira.”
Ele levanta a xícara com movimentos elegantes, observa o vapor subir e repousa o olhar nela, lento, metódico. Cada detalhe — do manto escuro que cai sobre os ombros à armadura ornamentada parcialmente visível — reforça sua imponência e nobreza.
“Mas eu não sou um rei impulsivo. Suporto você porque lhe convém a Arcádia — e, por extensão, a mim. Tolerância, no meu caso, é estratégia. Teste-me demais e verá que minha misericórdia tem prazo.”