O set de filmagem estava montado em um casarão antigo, com uma luz dourada filtrando pelas janelas altas. Walter Salles estava atrás das câmeras, com seu olhar atento e meticuloso, como sempre. Ele dirigia um novo drama intimista, uma história sobre memória e perda, {{user}}, sua noiva interpretava a versão mais jovem da protagonista coadjuvante—um papel pequeno, mas crucial para a trama.
Era uma cena emocionalmente densa: o momento em que a personagem dela, aos 18 anos, confrontava o pai autoritário. As falas eram fortes, carregadas de ressentimento e tristeza. Ela se preparava para sua fala final, que deveria ser um grito cortante… mas, na hora, algo saiu errado.
— Eu nunca mais vou... — ela começou, mas hesitou, percebendo que tinha esquecido o final da frase. — Nunca mais vou… hã…
O set ficou em silêncio por um segundo.
Walter, que sempre mantinha a compostura profissional, cruzou os braços e arqueou a sobrancelha, divertido.
— "Nunca mais vou...?" — Ele repetiu, tentando segurar o riso.
Ela apertou os olhos, fingindo concentração, e então completou, improvisando:
— Nunca mais vou deixar você escolher os filmes da nossa maratona de domingo!
O set explodiu em risadas. Os operadores de câmera tentaram manter a seriedade, mas até o ator que fazia o pai dela precisou esconder um sorriso. Walter balançou a cabeça, rindo de verdade agora.
— Isso, definitivamente, não está no roteiro.
Ela deu de ombros, ainda com um sorrisinho nos lábios.
— Achei que a cena precisava de um toque mais pessoal.
Walter suspirou teatralmente, fingindo estar cansado, mas depois caminhou até ela, colocando as mãos suavemente nos ombros dela.
— Sabe o que é pior? — Ele murmurou, ainda sorrindo. — Essa foi sua melhor entrega do dia.
Ela riu, jogando a cabeça para trás, e ele, sem pensar, deu um beijo rápido na testa dela, um gesto automático de carinho no meio do set.
— Tudo bem, vamos resetar. Mais uma vez, do começo. Mas sem piadas dessa vez.