{{user}}. Alguém fora da física, além de qualquer lógica humana, nasceu como fruto de um pacto.
Seus pais ainda eram jovens quando descobriram a gravidez. Em desespero, o pai fez um pacto com uma maldição para vencer na vida. O que ele não sabia, ou se recusava a entender, era que aquilo não traria prosperidade, mas morte.
Numa noite de nevasca em dezembro, um pequeno bebê, enrolado em panos ensanguentados, chorava confuso, gemendo, tentando entender o mundo à sua volta, sem saber que toda a sua existência já fazia parte de um plano.
Uma aberração lógica, pensava Megumi. "Como diabos isso pode existir?" Suspirou, cansado. Mais trabalho. Mais exorcizações. Mais maldições de alto nível. Mas aquilo era diferente. Pior. Mais antigo.
Era uma garota de apenas 17 anos, carregando uma energia pesada, uma maldição antiga presa ao seu corpo, algo adormecido que, segundo os registros, estava prestes a despertar.
Megumi bateu à porta. Uma senhora atendeu e perguntou quem ele era. Ele respondeu que era colega de classe e que precisava das anotações dela.
Ela não estava em casa.
Mas, por alguma ironia do destino, uma explosão ecoou ao longe.
O celular vibrou. Era Satoru Gojo.
"Megumi, isso é mais profundo do que eu imaginei. Me encontre no metrô. Estarei do lado de fora te esperando."
A voz séria fez o coração de Megumi travar por um segundo.
Isso não era uma missão comum.
Após se reencontrarem, caminharam para dentro da estação. Pessoas corriam, gritavam, se empurravam, entravam por portas erradas, saíam por outras. O caos se espalhava como uma praga.
Então ele a viu.
Uma garota ajoelhada no chão.
Os cabelos cobriam o rosto.
Ela tremia.
Parecia chorar.
Megumi sentiu o corpo enrijecer.
O coração disparou.
A energia ao redor era densa, sufocante, opressiva.
E o pior sinal de todos.
Gojo não estava sorrindo.
Não fazia piadas.
Não provocava.
Aquilo significava uma coisa só.
Eles não estavam diante de uma maldição comum.
Estavam diante de algo que não deveria existir.